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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Bilhetes


Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura.
Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos.
E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços.
E estreitar distâncias.
Encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez).
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas.

Rita Apoena

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A amizade


A amizade é um amor que nunca morre.
A amizade é uma virtude que muitos sabem que existe, alguns descobrem, mas poucos reconhecem.
A amizade quando é sincera o esquecimento é impossível.
A confiança, tal como a arte, não deriva de termos resposta para tudo, mas, de estarmos abertos a todas as perguntas.
A dor alimenta a coragem. Você não pode ser corajoso se só aconteceram coisas maravilhosas com você.
A esperança é um empréstimo pedido à felicidade.
A felicidade não é um prêmio, e sim uma conseqüência, a solidão não é um castigo, e sim um resultado.
A felicidade não está no fim da jornada, e sim em cada curva do caminho que percorremos para encontrá-la.
A gente tropeça sempre nas pedras pequenas, porque as grandes a gente logo enxerga.
A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delicia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você.
A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos.
A inteligência é o farol que nos guia, mas é a vontade que nos faz caminhar.
A maior fraqueza de uma pessoa é trocar aquilo que ela mais deseja na vida, por aquilo que ele deseja no momento.
A persistência é o caminho do êxito.
A pior solidão é aquela que se sente na companhia de outros.
A SOLIDÃO É UMA GOTA NO OCEANO QUE SÓ OLHA PARA SI MESMA... UMA GOTA QUE NÃO SABE QUE É OCEANO...
Amigos são a outra parte do oceano que a gota procura...
A tua única obrigação durante toda a tua existência
é seres verdadeiro para contigo próprio.
A verdadeira amizade deixa marcas positivas que o tempo jamais poderá apagar.
A verdadeira amizade é aquela que não pede nada em troca, a não ser a própria amiga.
A verdadeira generosidade é fazer alguma coisa de bom por alguém que nunca vai descobrir.
A verdadeira liberdade é poder tudo sobre si.
Algumas pessoas acham-se cultas porque comparam sua ignorância com as dos outros.
Amigo de verdade é aquele que transforma um pequeno momento em um grande instante.
Amigo é a luz que não deixa a vida escurecer.
Amigo é aquele que conhece todos os seus segredos e mesmo assim gosta de você!
Amigo é aquele que nos faz sentir melhor e sobre tudo nos faz sentir amados...
Amigo é aquele que, a cada vez, nos faz entrever a meta e que percorre conosco um trecho do caminho.
Amigos são como flores cada um tem o seu encanto por isso cultive-os.
Amizade é como música: duas cordas afinadas no mesmo tom, vibram juntas...
Amizade, palavra que designa vários sentimentos, que não pode ser trocada por meras coisas materiais... Deve ser guardada e conservada no coração!!!
As pessoas entram em nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.
Celebrar a vida é somar amigos, experiências e conquistas,
dando-lhes sempre algum significado.
Diante de um obstáculo não cruzes os braços, pois o maior homem do mundo morreu de braços abertos.
Elogie os amigos em público, critique em particular.
Errar é humano, perdoar é divino.
Evitar a felicidade com medo que ela acabe; é o melhor meio de ser infeliz.
Faça amizade com a bondade das pessoas, nunca com seus bens!
Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.
Érico Veríssimo

domingo, 22 de abril de 2012

Perfeição e totalidade


Nunca existiu uma pessoa como você antes,
não existe ninguém neste mundo como você agora
e nem nunca existirá.
Veja só o respeito que a vida tem por você.
Você é uma obra de arte — impossível de repetir,
incomparável, absolutamente única."

Não se preocupe com a perfeição.
Substitua a palavra "perfeição" por "totalidade".
Não pense que você tem de ser perfeito,
pense que tem de ser total.
A totalidade dá a você uma dimensão diferente."

OSHO

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O amor te espera


Liberta-te da clausura em que aprisionaste o teu coração. Deixa que ele voe alto e, como os pássaros, execute a linda sinfonia do Amor. Observa a perfeição do voo dos passarinhos. Como em coreografias ensaiadas há milênios, eles rasgam o ar com o poder da harmonia e da união. Quem os ensinou? A sabedoria que habita todos os seres vivos. A natureza criada pela Divindade que nos homenageia todos os dias, ofertando generosamente belas lições de como viver, de como conviver. Lições de arte, de estética, de solidariedade, de equilíbrio e velocidade.

Os belos sons que permitem às aves se comunicarem encantam o planeta. São presentes diários que muitas vezes nos passam despercebidos. Ouça amorosamente o canto dos bem-te-vis e de tantos outros que nos cumprimentam ao alvorecer de um novo dia repleto de esperanças.

Observa as aves e aprenda a conviver com amor, união, cooperação, solidariedade e sabedoria. Estenda a mão para os que estão enfraquecidos, à margem do caminho. Olha sempre ao redor para ver quem precisa de ti. Esqueça um pouco as tuas necessidades humanas e cultiva os valores espirituais: o desejo de praticar o Bem e a Caridade todos os dias, com gestos simples que seja, mas que venham acompanhados pelo olhar doce daqueles que compreendem e se solidarizam com o sofrimento humano.

Coloca-te sempre no lugar do outro e transborda Amor aos quatro cantos do mundo. Assim serás verdadeiramente feliz e encontrarás o Amor à tua espera em tudo e em todos que tocares!

Luz e paz!

Maria Rosa
(mensagem psicografada pela médium Cristina Barude, Salvador, 08.04.2012)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Camille Claudel


Camille Claudel (Fère-en-Tardenois, Aisne, 8 de dezembro de 1864 — Paris, 19 de outubro de 1943) foi uma escultora francesa.

Filha de Louis-Prosper Claudel, hipotecário e Louise-Athanaïse Claudel, Camille Claudel passa sua infância em Villeneuve-sur-Fère, morando em um presbitério que seu avô materno, doutor Athanase Cerveaux, havia adquirido. Primeira a ser gerada pelo casal, quatro anos mais velha que Paul Claudel, ela impõe a este, assim como a sua irmã caçula Louise, sua forte personalidade. Segundo Paul, tendo declarado seu desejo de ser escultora, Camille previu também que ele se tornaria escritor e Louise musicista.

Seu pai, maravilhado com seu estupendo e precoce talento que, ainda na infância, produziu esculturas de ossos e esqueletos com impressionante verossimilhança, oferta-lhe todos os meios de desenvolver suas potencialidades. Sua mãe, por outro lado, não vê com bons olhos, colocando-se sempre contra todo aquele empreendimento, reagindo muitas vezes violentamente no sentido de reprovar a filha que traz incômodos e custos excessivos para a manutenção de seu "capricho".

Em 1881, parte para Paris e ingressa na Academia Colarossi, tendo por mestre primeiramente Alfred Boucher e depois Auguste Rodin. É desta época que datam suas primeiras obras que nos são conhecidas: A Velha Helena (La Vieille Hélène — coleção particular) ou Paul aos treze anos (Paul à treize ans — Châteauroux). Rodin, impressionado pela solidez de seu trabalho, admite-a como aprendiz de seu ateliê da rua da Universidade em 1885 e é nesse momento que ela colaborará na execução das Portas do Inferno (Les Portes de l'Enfer) e do monumento Os Burgueses de Calais (Les Bourgeois de Calais).

Tendo deixado sua família pelo amor de Rodin, ela trabalha vários anos a serviço de seu mestre e mantendo-se à custa de sua própria criação. Por vezes, a obra de um e de outro são tão próximas que não se sabe qual obra do mestre ou da aluna inspirou um ou copiou o outro. Além disso, Camille Claudel enfrenta muito rapidamente duas grandes dificuldades: de um lado, Rodin não consegue decidir-se em deixar Rose Beuret, sua companheira devotada desde os primeiros anos difíceis, e de outro lado, alguns afirmam que suas obras seriam executadas por seu próprio mestre. Assim sendo, Camille tentará se distanciar, percebendo-se muito claramente essa tentativa de autonomia em sua obra (1880-94), tanto na escolha dos temas como no tratamento: A Valsa [1](La Valse — Museu Rodin) ou A Pequena Castelã [2] (La Petite Châtelaine, Museu Rodin). Esse distanciamento segue até o rompimento definitivo em 1898. A ruptura é marcada e contada pela famosa obra de título preciso: A Idade Madura [3] (L’Age Mûr – Museu d'Orsay).

Ferida e desorientada, Camille Claudel nutre então por Rodin um amor-ódio que a levará à paranóia. Ela instala-se então no número 19 do quai Bourbon e continua sua busca artística em grande solidão apesar do apoio de críticos como Octave Mirbeau, Mathias Morhardt, Louis Vauxcelles e do fundidor Eugène Blot. Este último organiza duas grandes exposições, esperando o reconhecimento e assim um benefício sentimental e financeiro para Camille Claudel. Suas exposições têm grande sucesso de crítica, mas Camille já está doente demais para se reconfortar com os elogios.

Depois de 1905, os períodos paranóicos de Camille multiplicam-se e acentuam-se. Ela crê em seus delírios que Rodin está apoderando de suas obras para moldá-las e expô-las como suas, que também o inspetor do Ministério das Belas-Artes está em conluio com Rodin, e que desconhecidos querem entrar em sua casa para lhe furtar as obras. Ela vive então em um grande abatimento físico e psicológico, não se alimentando mais e desconfiando de todos.

Seu pai, seu porto-seguro, morre em 3 de março de 1913. Em seguida, em 10 de março, ela é internada no manicômio de Ville-Evrard. A eclosão da Primeira Guerra Mundial levou-a a ser transferida para Villeneuve-lès-Avignon onde morre, após trinta anos de internação, em 19 de outubro de 1943, aos 79 anos incompletos.

Talento
A força e a grandiosidade de seu talento estavam na verdade em um lugar muito incômodo: entre a figura legendária de Rodin e a de seu irmão que se tornou um dos maiores expoentes da literatura de sua geração. E não é difícil ler que as questões de gênero permeiam esse lugar menor dedicado a Camille.

Seu gênio sufocado por dois gigantes, sua vida sufocada por um abandono, suas forças e sua lucidez esgotadas por uma relação umbilical com seu mestre e amante. Uma relação da qual não conseguiu desvencilhar-se, consumindo sua vitalidade na vã tentativa de desembaraçar-se desse destino perverso. Camille Claudel, sua forte personalidade, sua intransigência, seu gênio criativo que ultrapassou a compreensão de sua época, como afirma o personagem de Eugène Blot no filme, permanecerá ainda e sempre um Sumo Mistério.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Aprendendo a curtir os verdadeiros prazeres positivos


OS PRAZERES DO CORPO - Vive bem quem consegue superar mais ou menos rapidamente as dores inexoráveis da nossa condição e que tem os meios necessários para viver próximo do ponto de equilíbrio, usufruindo de um bem-estar bastante gratificante. Esses são ingredientes essenciais à felicidade. Ela seria incompleta e desinteressante se fosse composta apenas disso. A ela se agregam os prazeres positivos, aqueles que não dependem da existência prévia de nenhum tipo de desconforto ou dor.

O exemplo mais típico de um prazer positivo é a excitação sexual: saímos do zero, do bem-estar, para um estado de inquietação sentido como extraordinariamente agradável. Sentimos a excitação e somos conscientes disso. Quando ela é muito intensa pode até mesmo interromper o processo de pensamento, determinando um estado de êxtase efêmero, mas suficientemente gratificante para justificar a busca insistente do prazer erótico por parte de quase todo o mundo.

A excitação sexual se manifesta a partir da estimulação táctil das zonas erógenas tanto quando elas são praticadas individualmente como também quando elas derivam de trocas de carícias entre duas pessoas. Nos homens, a excitação pode depender também de estímulos visuais, sem que haja nenhum tipo de contato. Os objetos de desejo sexual são de natureza muito diferente dos objetos amorosos, pois são múltiplos e indiscriminados; e nem sempre estão em sintonia com os sentimentos amorosos. O objeto do amor é muito específico, de modo que penso que só neste caso cabe falar em efetiva relação. As trocas de carícias eróticas são chamadas de relações sexuais, mas não sei se chegam a ser mesmo “relações” – isso quando acontecem fora do envolvimento amoroso.

A questão sexual é extraordinariamente complexa em nossa espécie por diversos motivos. Como as “relações sexuais” podem determinar a reprodução, sempre estiveram fortemente regulamentadas. Sempre foram mal vistas por certas correntes religiosas por serem fonte de grandes prazeres. Além disso, contém mais um ingrediente, este sim difícil de ser equacionado. Estou me referindo à vaidade, ao prazer erótico relacionado com o exibicionismo, com o atrair olhares de admiração e eventualmente de desejo, com o ato de se destacar. O destaque pode acontecer por força da beleza ou outras competências físicas extraordinárias. Ele pode se manifestar também em outras áreas, como nas realizações profissionais, artísticas ou intelectuais. Atraem a admiração e despertam uma excitação muito grande na pessoa que consegue se sobressair.

Penso na vaidade como o mais complicado elemento da nossa subjetividade. Ela é responsável pela busca de notoriedade, de chamar a atenção, da pessoa se sobrepor às outras. Acontece que aquelas que não conseguem igual destaque – e que são a maioria – se sentem diminuídas, incomodadas, invejosas e revoltadas. O destaque implica sempre na presença de propriedades incomuns, privilégio de uma minoria. Constituem-se assim as “felicidades aristocráticas”, relacionadas com a beleza física, com dotes atléticos espetaculares, com uma inteligência privilegiada, algum dote artístico valorizado ou mesmo a posse de muitos bens materiais. Elas podem fazer bem aos que as possuem, mas desequilibram as sociedades, gerando ondas de hostilidade invejosa insolúveis.

O sexo é prazer físico positivo por excelência e, por meio da vaidade, pode contaminar também os prazeres intelectuais. Existem outros prazeres físicos e que são de natureza mais democrática. Talvez devêssemos, como sociedade e como indivíduos, nos ater mais a eles. Podemos nos deleitar com a dança, com os esportes individuais por meio dos quais estamos apenas nos tornando cada vez mais bem condicionados – sem expectativa competitiva alguma. Ficamos felizes ao conseguirmos chegar ao peso desejado, ao sentirmos nosso corpo rendendo o máximo. Essas são “felicidades democráticas”, uma vez que estão aí à disposição de todos aqueles que se disciplinarem e dedicarem algumas horas da semana ao cultivo do corpo.

OS PRAZERES INTELECTUAIS - Graças ao “software” sofisticado que conseguimos construir, fomos capazes de desenvolver prazeres intelectuais autônomos – apesar de que eles também estão contaminados com a vaidade, elemento erótico por excelência. Aprender é um prazer positivo que nos acompanha desde tenra infância e que deveria ser cultivado sempre. Aprender é prazer profundamente democrático, já que aí há espaço para que todos evoluam. Perceber que conseguimos apreciar melhor as artes, que podemos curtir cada vez mais e melhor os bons filmes, que as conversas sofisticadas com os amigos queridos são uma delícia e que estamos sendo capazes de evoluir emocional e moralmente talvez sejam nossos maiores prazeres intelectuais, certamente os únicos comparáveis com os prazeres do sexo. Os genuínos prazeres intelectuais independem da vaidade, pois a boa conversa e a emoção ao ouvir uma música não necessitam de observadores – essenciais no exibicionismo.

Os avanços intelectuais e morais nos levam a ser criaturas disciplinadas e costumam trazer grande satisfação íntima. O que chamamos de auto-estima é relacionado com isso, uma vez que podemos fazer um juízo cada vez melhor de nós mesmos. Eles vêm acompanhados de melhores resultados práticos, o que reforça a vaidade. Os avanços profissionais se tornam quase que inevitáveis.

Um outro avanço fundamental também ocorre e esse tem a ver com o aspecto sentimental. Uma boa auto-estima altera o foco da admiração, que passa a se dirigir na direção das pessoas com quem as afinidades predominam. Passamos a nos encantar por pessoas escolhidas segundo os mesmos critérios que os amigos, ou seja, aqueles com quem temos o enorme prazer intelectual derivado de conversas intensas e sinceras. Amigos são criaturas confiáveis. Amigos determinam prazeres positivos porque não precisamos nos sentir desamparados ou tristes para que apreciemos muito a companhia deles. Ao estabelecermos o elo relacionado ao aconchego sentimental com um parceiro que também seja o nosso melhor amigo, estaremos nos aproximando do melhor dos mundos.

Flávio Gikovate

sábado, 29 de outubro de 2011

O permanente e o provisório


O casamento é permanente, o namoro é provisório.
O amor é permanente, a paixão é provisória.
Uma profissão é permanente, um emprego é provisório.
Um endereço é permanente, uma estada é provisória.
A arte é permanente, a tendência é provisória.
De acordo? Nem eu.

Um casamento que dura 20 anos é provisório. Não somos repetições de nós mesmos, a cada instante somos surpreendidos por novos pensamentos que nos chegam através da leitura, do cinema, da meditação. O que eu fui ontem, anteontem, já é memória. Escada vencida degrau por degrau, mas o que eu sou neste momento é o que conta, minhas decisões valem pra agora, hoje é o meu dia, nenhum outro.

Amor permanente... como a gente se agarra nesta ilusão. Pois se nem o amor pela gente mesmo resiste tanto tempo sem umas reavaliações. Por isso nos transformamos, temos sede de aprender, de nos melhorar, de deixar pra trás nossos imensuráveis erros, nossos achaques, nossos preconceitos, tudo o que fizemos achando que era certo e hoje condenamos. O amor se infiltra dentro da nós, mas seguem todos em movimento: você, o amor da sua vida e o que vocês sentem. Tudo pulsando independentemente, e passíveis de se desgarrar um do outro.

Um endereço não é pra sempre, uma profissão pode ser jogada pela janela, a amizade é fortíssima até encontrar uma desilusão ainda mais forte, a arte passa por ciclos, e se tudo isso é soberano e tem valor supremo, é porque hoje acreditamos nisso, hoje somos superiores ao passado e ao futuro, agora é que nossa crença se estabiliza, a necessidade se manifesta, a vontade se impõe – até que o tempo vire.

Faço menos planos e cultivo menos recordações. Não guardo muitos papéis, nem adianto muito o serviço. Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço seus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com a integridade possível.
Canso menos, me divirto mais, e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós.

Martha Medeiros

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Discurso na Universidade de Stanford


Você tem que encontrar o que você ama

Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.” Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.

E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.

Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.

Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.

Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.

Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último”. Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas – que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário. Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: “Continue com fome, continue bobo”. Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.

Obrigado.

Steve Jobs
* Fonte: Revista Você S/A

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Ser artista


Ser artista é desvendar os segredos da vida e alcançar o verbo;
é fazer nos traços e cores a luz Suprema.
É fazer soar, nas simples notas, a Canção Divina;
é traduzir, em prosa ou verso, o Amor Maior.
Ser artista é descobrir dentro de si a Essência Divina e colocá-la na sua arte, que nada é mais do um veículo de expressão, de que se utiliza o Criador para se fazer presente entre nós.

Rembrandt

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Rembrandt


Rembrandt Harmenszoon van Rijn (15 de julho de 1606 — 4 de outubro de 1669) em Leida, na República Unida dos Países Baixos (atual Países Baixos).É geralmente considerado um dos maiores nomes da história da arte européia e o mais importante da história neerlandesa. Suas contribuições à arte surgiram em um período denominado pelos historiadores de "Século de Ouro dos Países Baixos", na qual a influência política, a ciência, o comércio e a cultura neerlandesa—particularmente a pintura—atingiram seu ápice.

Tendo alcançado sucesso na juventude como um pintor de retratos, seus últimos anos foram marcados por uma tragédia pessoal e dificuldades financeiras. No entanto, suas gravuras e pinturas foram populares em toda a sua vida e sua reputação como um artista manteve-se elevada, e por vinte anos ele ensinou quase todos os importantes pintores neerlandeses. Os maiores triunfos criativos de Rembrandt são exemplificados especialmente nos retratos de seus contemporâneos, auto-retratos e ilustrações de cenas da Bíblia. Seus auto-retratos formam uma biografia singular e intimista em que o artista pesquisou a si mesmo sem vaidade e com a máxima sinceridade.

Tanto na pintura como na gravura, ele expõe um conhecimento completo da iconografia clássica, que ele moldou para se adequar às exigências da sua própria experiência; assim, a representação de uma cena bíblica era baseada no conhecimento de Rembrandt sobre o texto específico, na sua assimilação da composição clássica, e em suas observações da população judaica de Amsterdã. Devido a sua empatia pela condição humana, ele foi chamado de "um dos grandes profetas da civilização."

Rembrandt e Saskia casaram-se na igreja local de Sint Annaparochie, sem a presença de seus parentes. No mesmo ano, Rembrandt tornou-se cidadão de Amsterdã e membro da guilda local de pintores.

Saskia morreu em 1642, pouco depois do nascimento de Titus, provavelmente em decorrência de uma tuberculose. Os desenhos de Rembrandt dela em seu leito de morte estão entre seus trabalhos mais comoventes.

Durante a enfermidade de Saskia, Geertje Dircx foi contratada como enfermeira e babá de Titus, tornando-se na mesma época amante de Rembrandt. Ela posteriormente processaria o pintor por quebra de promessa, sendo recompensada com uma pensão alimentícia de 200 guilders por ano. Ao descobrir que Geertje havia penhorado jóias pertencentes a Saskia, Rembrandt conseguiu com que ela fosse internada por doze anos em um asilo de indigentes em Gouda.

No final da década de 1640, Rembrandt deu início a um relacionamento com sua empregada Hendrickje Stoffels. Em 1654 tiveram uma filha, Cornelia, o que provocou a intimação de Hendrickje pela Igreja Reformada Neerlandesa para responder a acusação de que cometera "atos de uma prostituta com Rembrandt o pintor". Ela confessou a verdade, sendo excomungada. Rembrandt por sua vez não foi convocado ou excomungado, pois não fazia parte de nenhuma igreja. Os dois foram considerados legalmente casados sob a lei comum, apesar do pintor não ter se casado oficialmente para não perder acesso aos recursos financeiros destinados a Titus no testamento de sua mãe.

Rembrandt vivia além de suas rendas, comprando obras de arte, impressões e raridades, o que supostamente provocou em 1656 um acordo nos tribunais para evitar sua falência, que resultou na venda da maioria de seus quadros e sua imensa coleção de antiquidades. A lista de itens vendidos sobreviveu ao tempo, e relaciona entre outros objetos os bustos de vários Imperadores Romanos, armaduras japonesas e um acervo de história natural e mineral. Os valores obtidos com as vendas em 1657 e 1658, contudo, foram irrisórios. Em 1660 ele foi forçado a vender sua casa e máquina impressora e mudar-se para uma habitação modesta em Rozengracht. As autoridades e credores eram em geral compreensivos com sua situação—com exceção da guilda de pintores de Amsterdã, que introduziu uma nova regra proibindo a qualquer um nas circunstâncias de Rembrandt de trabalhar como pintor. Para contornar a proibição, Hendrickje e Titus iniciaram um empreendimento para agenciar obras de arte, com Rembrandt como seu funcionário.

Em 1661, ele (ou o novo empreendimento) foi contratado para completar os trabalhos do recém-construído paço municipal—a contratação só ocorreu, no entanto, após a morte de Govert Flinck, que fora designado originalmente para o trabalho. A obra resultante, A Conspiração de Claudius Civilis, foi rejeitada e devolvida ao pintor; apenas um fragmento dela acabaria conservada. Na mesma época Rembrandt admitiu seu último aprendiz, Aert de Gelder. Em 1662 ele continuava a executar grandes encomendas de retratos e outras obras. Quando Cosme III da Toscana viajou a Amsterdã em 1667, visitou, entre outros locais, a casa de Rembrandt.
Rembrandt sobreviveu tanto a Hendrickje, que morreu em 1663, quanto Titus, morto em 1668. Ele faleceu em Amsterdã por volta de um ano depois da morte do filho, sendo sepultado em uma cova não demarcada na Westerkerk.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Modigliani


Um dos principais integrantes da escola de Paris, Modigliani marcou a pintura da primeira metade do século XX com suas figuras alongadas, que se destacam pelo despojamento e pela estilização.

Amedeo Clemente Modigliani nasceu na cidade italiana de Livorno, em 12 de julho de 1884, filho de abastada família judia.
Por causa da saúde precária não recebeu educação formal e voltou-se para o estudo da pintura, que iniciou na cidade natal e prosseguiu em Veneza e Florença.
Em 1906 mudou-se para Paris e, ao fim de três anos de vida boêmia, executou uma de suas obras mais importantes: "O violoncelista", que expôs no Salão dos Independentes de 1909.
O encontro com o escultor Constantin Brancusi marcou a carreira de Modigliani, que por um longo período abandonou a pintura pela escultura. Impressionado pelo cubismo, muito influenciado por Cézanne, Toulouse-Lautrec e Picasso, o artista executou nesse período esculturas nas quais se misturam influências da escola de Siena e da arte da África negra, sobretudo das esculturas do Congo e do Gabão.
Também a influência dos kouroi (esculturas gregas que representam jovens atletas desnudos) se faz sentir nesses trabalhos, que Modigliani esculpia sempre diretamente na pedra, na tentativa de preservar a unidade plástica do bloco.
Essa fase se prolongou até 1914, quando o artista, sem dispor dos recursos necessários à produção de esculturas, retornou à pintura.
Os temas preferidos de Modigliani foram, a partir de então, os retratos e os nus femininos com modelos que, segundo o artista, expressavam "a muda aceitação da vida". Com o raro dom de conseguir uma imediata empatia entre seus retratos e o observador, dotou suas figuras de uma sensualidade que se transmite não pela nudez, mas pelo movimento e pelo alongamento dos traços.
Essa breve fase final do artista foi a mais importante de sua obra, caracterizada por um despojamento que alguns críticos creditaram a sua inclinação para a escultura. Modigliani morreu em Paris, em 24 de janeiro de 1920.

O quadro "Retrato de Jeanne Hebuterne" de Amedeo Modigliani retratando sua amante e musa Jeanne Hebuterne tem uma história trágica, já que Modigliani morreu em 1920, pouco depois de concluir a obra, e Jeanne Hebuterne, que estava grávida de nove meses, se matou no dia seguinte, pulando de uma janela do quinto andar de um edifício, após a morte do amante.

A grande musa de Amedeo foi Jeanne Hébuterne, com quem teve uma filha, Jeanne, em 1918.
Complicações na saúde fazem o pintor viajar para o sul da França com a esposa e a filha, a fim de recuperar-se. Retorna a Paris ao final de 1918. Na noite de 24 de janeiro de 1920, aos 36 anos, Modigliani morre de tuberculose, agravada pelo consumo excessivo de álcool e drogas (haxixe). Foi sepultado no célebre Cemitério do Père-Lachaise.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Faz de Conta


Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO

Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.

Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.

Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.

Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.

Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.

Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.

Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.

Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy: FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.

Martha Medeiros

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Jeanne Hébuterne

Paris, França, 6 de abril de 1898 — Paris, França, 25 de janeiro de 1920 De família católica e conservadora, sempre foi uma bela moça e desde cedo voltada para as artes. Afiliou-se à comunidade artística em Montparnasse por seu irmão André Hébuterne (1894-1992), que queria ser pintor. Entretanto, querendo prosseguir uma carreira nas artes, e com muito talento, escolheu estudar na Academia Colarossi. Foi retratada diversas vezes por Léonard Fujita Tsuguharu (1886-1968) pintor francês de descendência japonesa. Autora de obras como "A suicida" e "A morte", de traço simples e explicativo. Em 1917 Jeanne conheceu o pintor Amedeo Modigliani. Embora Modigliani fosse judeu e quatorze anos mais velho do que ela, era um homem muito considerado e charmoso. Começaram a se encontrar imediatamente e acabaram se apaixonando. Em 29 de novembro de 1918 dá a luz a uma menina, que recebe o mesmo nome da mãe, e é reconhecida como filha por Modigliani. Em julho de 1919, descobre estar grávida novamente, mostrando desapontamento. É renunciada de sua família, por escolher viver com Modi. Logo fica comprometida de se casar com o pintor, que registrara seu nome errado no documento de matrimônio para invalidar a relação, que para ele era apenas carnal. A vida do casal não era um mar de rosas e Modigliani tinha a saúde debilitada devido a uma tuberculose mal curada e ao consumo excessivo de álcool e drogas. Ele morre no Charité de Paris no dia 24 de janeiro de 1920. Jeanne, companheira devotada e grávida de nove meses do segundo filho, sobrevive apenas uma noite, atirando-se do quinto andar do prédio onde morava. Seu corpo foi velado e sepultado ás escondidas, pelos pais, no cemitério de Bagneux. Sua filha foi criada pelas irmãs de Modigliani, e cresceu sem saber o que ocorrera com os pais. Apenas dez anos depois, Jeanne e seu filho que não nasceu foram transferidos para o cemitério do Père Lachaise, para descansarem ao lado de Modigliani. Seus trabalhos foram guardados por seu irmão André, a sete chaves, e apenas em 2000 foram mostrados ao público, numa exposição na Itália, com uma sala reservada apenas para obras do casal.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Vincent Van Gogh

O maior dos pós-impressionistas. Pintor e desenhista holandês, durante toda a vida vendeu um só quadro, travando uma amarga batalha contra a pobreza, o alcoolismo e a insanidade. Van Gogh não se enquadra em nenhuma escola de pintura, embora sua extraordinária percepção das cores possa ter se originado das teorias impressionistas. Foi depois de se juntar ao irmão Théo, em Paris, e conhecer os "Impressionistas" que van Gogh começou a abandonar os tons escuros que até então usara, preferindo as cores puras primárias e secundárias, e adotar as pinceladas irregulares que davam uma sensação de luminosidade e leveza aos quadros impressionistas. Começou também a pintar a ar livre, hábito que conservou até morrer. A técnica de pinceladas firmes e carregadas que criou para seu próprio uso, aplicadas sem hesitação, permitiu-lhe pintar rapidamente e produzir um vasto número de obras nos últimos dois anos e meio de sua vida. Vincent William Van Gogh nasceu em Groot-Zundert, uma cidadezinha em Brabante, no dia 30 de março de 1853. O pai era pastor protestante e Van Gogh herdou dele o forte sentimento religioso pela vida e pela natureza que caracterizou o seu trabalho. Ele e o irmão mais novo, Théo, eram muito amigos e este não só incentivou o seu desejo de ser pintor como, na verdade, sustentou-o financeiramente nos últimos anos de sua vida. O primeiro emprego de Vincent foi nas filiais de Paris, Bruxelas e Londres da Goupil e Cie, empresa que negociava objetos de arte fundada por seu tio. Mais tarde, tentou ensinar em Londres e, depois, trabalhou pregando nas minas e distritos agrícolas pobres de Brabante. Foi aí que Van Gogh começou a expressar nos seus desenhos o que sentia pelas pessoas que o cercavam. Vivia tão pobre quanto elas, ao lado de uma prostituta que tomara a seus cuidados, mas a sua dedicação cristã foi mal compreendida e a sua igreja o censurou. Mais tarde, um amor não correspondido levou-o a tentar o suicídio. Em 1880, Van Gogh resolvera estudar arte em Bruxelas e Haia, acabou por juntar-se ao irmão Théo, que trabalhava para o Goupil et Cie em Paris. Ali, Van Gogh conheceu Degas, Pissarro, Signac, Seurat, Toulouse-Lautrec, Monet e Renoir, e descobriu a sua verdadeira vocação. Depois de dois anos em Paris, durante os quais pintou mais de duzentos quadros com a ajuda financeira do irmão, Van Gogh foi para Arles, no sul da França. Alugou um estúdio num local batizado de Casa Amarela e ali esperou que o amigo Gauguin viesse lhe fazer companhia. Gauguin relutava mas, como Théo era o seu marchand, sentiu-se obrigado a passar algum tempo com Vincent. Os dois homens estabeleceram-se em Arles, mas a tensão entre eles era muito grande, principalmente devido ao temperamento exaltado de Van Gogh, e Gauguin anunciou que ia voltar para Paris. Uma noite, percebeu que estava sendo seguido pelos jardins públicos de Arles por Van Gogh que o ameaçava com uma lâmina de barbear ou faca. Gauguin dormiu aquela noite no hotel e, no dia seguinte, voltando a Casa Amarela, soube que tinham levado Van Gogh para o hospital. Vincent cortara parte da orelha e a dera de presente a uma prostituta do bar que os dois costumavam freqüentar. Depois disso, Van Gogh retirou-se voluntariamente para um asilo para doentes mentais em St-Rémy-de-Provence, onde esperava recuperar a confiança em si mesmo e a estabilidade mental. Enquanto esteva internado, pintou sem parar e escrevia ao irmão e a Gauguin garantindo-lhes que já estava curado. Outros se seguiram; Van Gogh percebeu que era vítima de uma doença incurável. Em 1890 deixou St-Rémy e o clima ameno do sul e, seguindo o conselho de Pissarro, foi para Auvers-sur-Oise, onde um certo Dr. Gachet cuidou dele. Ali continuou pintando mas, depois de uma visita a Paris, onde soube das dificuldades financeiras do irmão e da doença do sobrinho, Van Gogh teve uma recaída. Um dia, enquanto pintava ao ar livre em Auvers, deu um tiro no peito. O ferimento não parecia ser muito grave. Dr.Gachet fez o curativo e chamou Théo em Paris. Dois dias depois, em 29 de julho de 1890, Vincent Van Gogh morria. Foi enterrado no cemitério de Auvers.

domingo, 6 de março de 2011

Michelangelo Buonarroti

Michelangelo ("Miguel Ângelo") di Ludovico Buonarroti Simoni (Caprese, 6 de Março de 1475 — Roma, 18 de Fevereiro de 1564) foi um pintor, escultor, poeta e arquiteto renascentista italiano.
Apesar de ter feito poucas atividades além das artes, sua versatilidade em vários campos fez com que rivalizasse com Leonardo da Vinci no título de ícone da Renascença. Michelangelo foi genial em vários campos e, além disso, também recebeu tarefas diplomáticas. Duas biografias foram escritas sobre ele ainda em vida (uma de Giorgio Vasari).

Duas de suas mais famosas obras (a Pietà e o David) foram realizadas antes de seus trinta anos. Apesar de sua pouca afeição à pintura, criou duas obras históricas: as cenas do Gênesis, no teto da Capela Sistina, e O Juízo Final, também no mesmo local. Projetou também a cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma. Entre suas outras esculturas, contam-se a também a Virgem, o Baco, o Moisés, a Raquel, a Léa e membros da família Médici.
Michelangelo nasceu em Caprese, na Toscana, o segundo de cinco filhos. Seu pai, Ludovico, quando residente em Caprese, era um magistrado. Michelangelo cresceu em Florença e mais tarde viveu com um escultor e sua esposa na localidade florentina de Settignano, onde seu pai tinha uma mina de mármore e uma pequena fazenda.

Contra a vontade de seu pai, o canhoto Michelangelo escolheu ser aprendiz de Domenico Ghirlandaio por três anos começando em 1488. Também foi aprendiz, na escultura, de Bertoldo di Giovanni. Impressionado com a técnica de Michelangelo, Ghirlandaio recomendou-o para Florença para estudar com Lourenço de Médici. De 1490 a 1492, Michelangelo frequentou a escola de Lourenço e durante sua estada, seria influenciado por muitas pessoas proeminentes, e pela filosofia platônica da época, que modificariam e expandiriam suas idéias na arte e ainda seus sentimentos sobre sexualidade.

Foi durante este período que Michelangelo criou dois relevos: a Batalha de Centauros e a Madonna da Escada. A primeira obra foi baseada em um tema sugerido por Poliziano e encomendada por Lourenço de Médici. Após sua morte, Michelangelo deixou a corte dos Medici. Nos meses seguintes, produziu um crucifixo de madeira para o pároco da Igreja de Santa Maria del Santo Spirito, que tinha o deixado estudar anatomia a partir de alguns cadáveres do hospital da Igreja.
Pedro de Médici, filho mais velho de Lourenço de Médici, recusou-se a financiar o trabalho artístico de Michelangelo. Também nessa época, as idéias de Savonarola tornaram-se populares em Florença. Sob tais pressões, Michelangelo decide sair definitivamente de Florença e vai para Bolonha por três anos. Logo depois, o Cardeal San Giorgio compra a obra de Michelangelo em mármore Cupido e decide chamá-lo a Roma em 1496. Influenciado pela antiguidade de Roma, ele produz Baco e a Pietà. A Pietà foi uma encomenda do embaixador francês na Santa Sé. Apesar de praticamente se dedicar à escultura, Michelangelo nunca deixou de desenhar, ele desenhava por prazer de segurar o lápis.
Em 1513, o Papa Júlio II morreu, e seu sucessor, o Papa Leão X, um Médici, pediu que Michelangelo reconstruísse o interior da Igreja de São Lourenço, em Florença, e a adornasse com esculturas. Michelangelo relutantemente aceitou, mas foi incapaz de terminar a tarefa (o exterior da igreja ainda não está adornado até hoje).
Em 1526, os cidadãos de Florença, encorajados pelo saque de Roma, expulsaram os Médici e restauraram a república. Michelangelo voltou para sua amada Florença para ajudar a construir as fortificações da cidade de 1528 a 1529. A cidade caiu em 1530 e os Médici voltaram ao poder.
Quando realizou Pietà Michelangelo tinha 23 anos. Em função da pouca idade, muitos não acreditaram que fosse o autor. Juntando capacidades criadoras geniais a uma técnica perfeita. A dor de Maria sobre o corpo morto do filho foi representada com o abandonou o realismo cruel típico em favor de uma visão idealizada. O artista toscano criou então a sua mais acabada e famosa escultura.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Duo MainTenanT - Benissimo

Vale a pena assistir!



Maintenant Duo -
Ex-Cirque du Soleil Artistas e Medalha de prata em Paris, no 31 Festival Mondial du Cirque de Demain, realizando no Live "benissimo" programa de TV de 2010. Música composta por Martin Villiger.
Contato: info@duomaintenant.com

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Permanente e o Provisório


O casamento é permanente, o namoro é provisório.
O amor é permanente, a paixão é provisória.
Uma profissão é permanente, um emprego é provisório.
Um endereço é permanente, uma estada é provisória.
A arte é permanente, a tendência é provisória.
De acordo? Nem eu.

Um casamento que dura 20 anos é provisório. Não somos repetições de nós mesmos, a cada instante somos surpreendidos por novos pensamentos que nos chegam através da leitura, do cinema, da meditação. O que eu fui ontem, anteontem, já é memória. Escada vencida degrau por degrau, mas o que eu sou neste momento é o que conta, minhas decisões valem pra agora, hoje é o meu dia, nenhum outro.

Amor permanente... como a gente se agarra nesta ilusão. Pois se nem o amor pela gente mesmo resiste tanto tempo sem umas reavaliações. Por isso nos transformamos, temos sede de aprender, de nos melhorar, de deixar pra trás nossos imensuráveis erros, nossos achaques, nossos preconceitos, tudo o que fizemos achando que era certo e hoje condenamos. O amor se infiltra dentro da nós, mas seguem todos em movimento: você, o amor da sua vida e o que vocês sentem. Tudo pulsando independentemente, e passíveis de se desgarrar um do outro.

Um endereço não é pra sempre, uma profissão pode ser jogada pela janela, a amizade é fortíssima até encontrar uma desilusão ainda mais forte, a arte passa por ciclos, e se tudo isso é soberano e tem valor supremo, é porque hoje acreditamos nisso, hoje somos superiores ao passado e ao futuro, agora é que nossa crença se estabiliza, a necessidade se manifesta, a vontade se impõe – até que o tempo vire.

Faço menos planos e cultivo menos recordações. Não guardo muitos papéis, nem adianto muito o serviço. Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço seus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com a integridade possível.
Canso menos, me divirto mais, e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós.

Martha Medeiros

domingo, 23 de janeiro de 2011

Hoje é dia de Bel Borba!

“A arte é a coisa mais exuberante feita pelo homem. A natureza tem suas belezas, o homem tem a arte”. Bel Borba

Quando entrei na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, o nome Bel Borba já era falado pelos quatro cantos da faculdade. Não fazia idéia de como seria a imagem do artista. Conheci seu trabalho antes dele, numa exposição no foyer do Teatro Castro Alves, onde havia sido premiado. Minha surpresa quando vi pela primeira vez, foi que não imaginava que fosse tão jovem. Lembro que ele foi pioneiro na técnica de pintura com spray (aerografia) onde pesquisou, empregou e dignificou por esse motivo a nossa professora Dona Aninha, de teoria e técnica da pintura, convidou para dar aula e apresentar essa nova técnica. Aquele rapaz super simples e muito simpático foi muito generoso em compartilhar com colegas seus conhecimentos. Mas talento não se aprende na escola e pelo visto a técnica também.

Sem duvida Bel Borba, com esse visual que remete a “Salvador Dali”, é uma pessoa muito especial, extremamente carismático, de uma boa conversa com pessoas de todas as idades, falo isso, pois meu pai é apaixonado por esse ser humano que apesar de inquieto, ao mesmo tempo é muito atencioso e gentil.

O soteropolitano Alberto José Costa Borba, que começou cedo na sua arte, iniciando na xilogravura, chegou a trabalhar em agência de publicidade, retoque de fotos e ilustrações para desenhos animados e técnicas de cenografia. Nas artes conseguiu modificar a paisagem da Bahia, é um artista completo, com pintura a óleo, cerâmica, azulejos, mosaico, esculturas, enfim ele interfere e transforma com sabedoria.

Acumulou uma obra imensa que jamais perdeu o talento, criatividade e qualidade. Assinou seu nome em Salvador e no mundo. Passando por países como Estados Unidos, Alemanha, França, Portugal e Holanda.

Mas esse ser humano de tanto valor também é engajado em questões sociais como na campanha Viva Saveiro com a proposta de resgatar a história dos saveiros e revitalizar a utilização das tradicionais embarcações. Em palestras para crianças, oficinas de criação para portadores de síndrome de Down e com esquizofrênicos do manicômio judiciário de Salvador. Com a ONG Paciência Viva, no Alto da Sereia, passou ensinamentos na técnica dos mosaicos para a comunidade e os muros e pilares das casas, onde mora gente simples, ganharam vida nova, o local virou uma galeria a céu aberto.

Nos mosaicos na terra, nas esculturas de destroços de saveiros do mar em Água Grande a pinturas nas aeronaves bimotores em Aeroplanos Híbridos sua arte voa onde a nossa vista alcançar.

Pra você amigo querido, desejo um Feliz Aniversário com todo meu carinho e admiração.
Beijos,
Viviane Noguerol

“Bel Borba é um dos mais importantes artista brasileiros de sua geração”.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quando tudo desaba

De repente tudo desaba...
O amor vai mal, o trabalho pior...
A geladeira quebra na mesma semana em que aparece a goteira...
O pagamento atrasa, o carro enguiça, o filho fica de recuperação...
O corpo adoece, a tristeza vem...
Aí a gente pensa: será que o mundo virou do avesso?
Eu prefiro pensar que não.
Porque as dores passam... As coisas se consertam... Os amores vão e vêm... as crises se resolvem...
Perder a calma, arrancar os cabelos, chorar, maldizer a vida, não resolve nada... Mas tudo bem: no momento da raiva - mas só por um segundo - a gente pode extravasar, gritar, pra não ter um infarto.
Eu aprendi que o tempo é um mestre na arte de refazer as coisas.
Ele nos dá ferramentas precisas pra remodelar, recolorir, reconstruir a vida.
Só o tempo nos dá a chance de ver que tudo é questão de tempo, mesmo...
Por isso, está em nossas mãos montar tudo de volta.
Com calma.
Porque nada se desfaz à toa. Coisas novas precisam ser erguidas.
Mãos à obra, então!
Use o tempo a seu favor. Vá devagar. Os caquinhos de um mundo desabado podem servir de base pra um mundo totalmente novo... e até mais forte.
Olha bem lá na frente... Olha quanto tempo pra colocar as coisas em ordem.
Não tem jeito, o mundo desaba de vez em quando. Mas você não tem que desabar junto.
Sendo assim, quando você olhar em volta e ver que tudo já está no chão, o segredo é se manter em pé!

Texto: Lena Gino

sábado, 1 de maio de 2010

Tenho alma de artista

As coisas que me dão mais prazer na vida são as captadas pelo olhar diferenciado do artista, que enxerga com seus sentidos, como se fossem mais aguçados, necessário pra compor seu trabalho. O sabor, o cheiro, o som, a visão e o tato somados a euforia e melancolia são traduzidos em emoção e expressos de formas diferentes de arte, sejam em quadros, esculturas, instalações, dança, música, teatro, literatura, cinema e fotografia. Não sou nenhum gênio da pintura, não me dediquei, não deixei fluir toda a criatividade que trago em minha alma, mas tenho a inquietação, os sentimentos a flor da pele e adoro ser tocada pela emoção que só a arte pode me proporcionar. Mas assim como os grandes mestres, os sentimentos parecem ganhar uma dimensão fora da realidade e com isso vem à incompreensão. Somos pessoas que sofrem e não escondem nem disfarçam seus sentimentos apenas traduzimos as emoções em forma de arte.

Nossos grandes mestres têm histórias de vida semelhantes, mas são firmes e dedicados em deixar sua contribuição para a humanidade. São incansáveis e nos deixam a sensação de que o conjunto da obra não foi completo mesmo trabalhando até seus últimos dias de vida. Como são difíceis de serem entendidos mais difícil ainda é explicá-los. Fora dos padrões de sua época, mas sempre a frente do seu tempo, foram discriminados, recriminados, amados e odiados, taxados de loucos, depressivos, exibicionistas, bruxos, mas com certeza são apenas visionários com missões de quebrar barreiras. Fazer o novo acontecer, transformar, abrir novos caminhos, fazer o mundo evoluir no bom sentido, afinal de contas com sua sensibilidade o respeito à natureza caminha junto.

Artistas têm luz própria, devaneiam, são frenéticos, românticos, amam o amor, o colorido infinito da natureza e o aroma imperceptível no ar, entram em êxtase com uma música que toca fundo no coração, assim como a simplicidade da vida. Se frágeis, despreparados emocionalmente, incrédulos e incompreendidos se desesperam e perdem a lucidez.

O nosso consolo é que a humanidade não pode viver ser arte! Contamos a historia de nossa civilização, tocamos fundo na emoção das pessoas, damos mais prazer à vida, doamos um amor incondicional e convidamos o mundo a pensar. Questionar e se posicionar na direção do futuro.

A arte é sonho, alegria, esperança, amor e fé.

Viviane Noguerol