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terça-feira, 15 de maio de 2012

Amores eternos


Eu acredito em amores eternos, daqueles que acompanham a gente pela vida inteira, como se tempo e amor se fundissem num só elemento, tornando-se imutáveis, indestrutíveis.

Eu acredito em amores eternos, daqueles que vão com você para qualquer lugar, não importando o quão distante você esteja, por que a pessoa amada reside em seu próprio coração.

Acredito em amores eternos e sublimes, capazes de reconsiderar tudo, com suavidade, ternura e perdão. Acredito, sim, em amores para toda a vida, e além da vida, pois seria um tipo de amor unido à própria alma, e sem alma a vida não tem razão...

Amores eternos existem sim, e superam qualquer coisa, mesmo quando ninguém mais acredita neles, eles continuam sempre à espreita, esperando apenas um olhar, um retorno, uma reconciliação.

Augusto Branco

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Prosa Patética


Nunca fui de ter inveja, mas de uns tempos pra cá tenho tido.
As mãos dadas dos amantes têm me tirado o sono.
Ontem, desejei com toda força ser a moça do supermercado.
Aquela que fala do namorado com tanta ternura.
Mesmo das brigas ando tendo inveja.
Meu vizinho gritando com a mulher, na casa cheia de crianças, sempre querendo, querendo.
Me disseram que solidão é sina e é pra sempre.
Confesso que gosto do espaço que é ser sozinho.
Essa extensão, largura, páramo, planura, planície, região.
No entanto, a soma das horas acorda sempre a lembrança do hálito quente do outro. A voz, o viço.
Hoje andei como louca, quis gritar com a solidão, expulsar de mim essa Nossa senhora ciumenta.
Madona sedenta de versos. Mas tive medo.
Medo de que ao sair levasse a imensidão onde me deito.
Ausência de espelhos que dissolve a falta, a fraqueza, a preguiça.
E me faz vento, pedra, desembocadura, abotoadura e silêncio.
Tive medo de perder o estado de verso e vácuo, onde tudo é grave e único. E me mantive quieta e muda.
E mais do que nunca tive inveja.
Invejei quem tem vida reta, quem não é poeta nem pensa essas coisas. Quem simplesmente ama e é amado.
E lê jornal domingo. Come pudim de leite e doce de abóbora.
A mulher que engravida porque gosta de criança.
Pra mim tudo encerra a gravidade prolixa das palavras: madrugada, mãe, ônibus, olhos, desabrocham em camadas de sentido, e ressoam como gongos ou sinos de igreja em meus ouvidos.
Escorro entre palavras, como quem navega um barco sem remo.
Um fluxo de líquidos. Um côncavo silêncio.
Clarice diz, que sua função é cuidar do mundo.
E eu, que não sou Clarice nem nada, fui mal forjada, não tenho bons modos nem berço.
Que escrevo num tempo onde tudo já foi falado, cantado, escrito.

O que o silêncio pode me dizer que já não tenha sido dito?
Eu, cuja única função é lavar palavra suja, nesse fim de século sem certeza?
Eu quero que a solidão me esqueça.

Viviane Mosé

terça-feira, 19 de julho de 2011

Pensamos demasiadamente


Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.

Charles Chaplin

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Confusões de um coração atordoado...


"Angústia...
Dúvida...
Anseio...

Parar ou continuar?

Saudade...
Tristeza...
Dor...

Tentar ou esquecer?

Paixão...
Carinho...
Ternura...

Sonhar ou acordar?

Desejo...
Desespero...
Loucura...

Insistir ou desistir?"

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A procura da felicidade

Liberta-te Zé, e abre os braços,
voa, sem descanso, ao horizonte
e lembra-te que as gotas dos abraços
facilmente se transformam numa fonte.

Numa fonte de água cristalina
que embriaga a boca de frescura
e se sorve, em cada gota de água fina,
a torrente mais fresca da ternura.

Bebe, caro Zé, esse fermento
que na água cresce e multiplica.
Dessedenta-te, Amigo, no alimento
que a água em tua boca dulcifica.

Se não há limites para o sonho
nem fronteiras que sustenham a vontade
abre o teu rosto, vai, risonho:
Parte à procura da Felicidade!

Fernando Peixoto (Porto - Pt - 2009)

domingo, 24 de outubro de 2010

O amor, a gentileza e a ternura

Quando se fala em relacionamento amoroso temos que pensar também na gentileza e na ternura. O comportamento sempre rude e grosseiro prejudica muito o relacionamento amoroso. Onde a erva daninha cresce em abundância não há espaço para as flores.

O comportamento rude pode tomar conta dos relacionamentos amorosos por falta de sabedoria. A pessoa não aprendeu a ser terna ou carinhosa. Seu lar só lhe mostrou um único modelo: o trato rude e indelicado. Maridos que gritam muito, companheiras estressadas e mal humoradas. A pressa, a falta de dinheiro e o cansaço são responsabilizados por esse ataque de nervos. Estar acostumado com o outro é também desculpa para a falta de respeito e de delicadeza. Como se a pessoa fosse obrigada a aguentar o destempero emocional do companheiro. Para muitos, ser gentil e carinhoso é ser bobo, demonstra vulnerabilidade nos sentimentos. Ninguém quer estar vulnerável. Aquele que mais se queixa e grita pode ser o mais frágil e o mais inseguro na relação.

Parece difícil falar em emoções mais tranquilas nesse mundo conturbado. A ansiedade irrita o sistema nervoso. O pedido da pessoa amada pode ser atendido apenas com um grito, palavrão ou ofensa. A conversa da esposa pode ser interpretada como enfadonha ou queixosa demais. E, desse modo, recebe o silêncio e o desprezo. Cuidamos do corpo, mas não estamos cuidando dos nossos relacionamentos e das nossas emoções mais refinadas. Temos que cuidar delas como flores delicadas que enfeitam o jardim do amor.

As falhas da pessoa amada podem ser perdoadas. A gentileza e a tolerância são lições apropriadas nesse momento difícil no trato com o outro. Mas aceitar um comportamento desumano e desrespeitoso o tempo todo é afrontar a si próprio.

Procure ficar atento ao seu comportamento em relação à pessoa amada. Eduque suas emoções renovando seus hábitos. Uma vida saudável pode afastar o mau humor crônico. A psicoterapia também pode lhe ajudar no auto aprimoramento. O sentimento de gratidão para com as pequenas alegrias da vida transforma as pessoas. A organização da sua rotina pessoal também pode melhorar seus relacionamentos. Estresse acentuado prejudica sua vida, sua saúde e até pode arruinar um relacionamento que tem tudo para dar certo. A falta de paciência com as falhas alheias ilustra algumas histórias de amor. Descontar na namorada ou na esposa sua insatisfação profissional não resolve sua vida. E, muito menos, descontar nos bichinhos de estimação o seu azedume. Ninguém gosta de ficar perto de pessoas sempre irritáveis, emburradas e fechadas. Gestos de carinho podem evitar uma discussão e até melhorar a vida íntima do casal.

A rotina do dia a dia não pode ser de todo responsabilizada pelo seu comportamento rude ou sem tato. Veja a pessoa amada como um grande presente que Deus lhe deu. Trate-o como você gostaria de ser tratado. É conversando que a gente se entende. E se acha que o que vem recebendo é muito menos do que merece parta para outra. Lembre-se sempre das palavrinhas mágicas que podem ajudar seu relacionamento amoroso: por favor, muito obrigado, desculpe. E preste sempre atenção no tom da sua voz e no ritmo das suas emoções. O sorriso pode lhe abrir as portas do amor, porque ele abre as janelas coloridas da alma. O sorriso desarma as pessoas tristes, mal humoradas e carrancudas.

Reflita sobre as palavras do espírito de André Luiz: "Se acordou de mau humor rogue a Deus o benefício de uma laringite". Silencie, mas escute suas emoções. Elas falam e expõem seu coração. A ternura e a gentileza moram dentro de um coração puro e cheio de amor. Pratique todos os dias e sua vida amorosa se transformará.

Texto de Sandra Cecília - www.relaxmental.com.br - Vídeos de vivência Canal Francisca Magnólia

sábado, 19 de junho de 2010

Sorriso


Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o ato de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contração muscular da boca e dos olhos.

O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no ato de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exatamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.

Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irônico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.

O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contrações musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frêmito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso.
José Saramago