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sábado, 6 de julho de 2013

Quando tuas mãos saem

Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.
 
Pablo Neruda

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A TIGELA DE MADEIRA


Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade.
As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes.
A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa.
O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.
- "Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai", disse o filho.
- "Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão."
Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação.
Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira.
Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos. Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram admoestações ásperas quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão.
O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio.
Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança:
- "O que você está fazendo?"
O menino respondeu docemente:
- "Oh, estou fazendo uma tigela para você e mamãe comerem, quando eu crescer."
O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho.
Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos.
Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.
Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito.
Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família.
Dali para frente e até o final de seus dias ele comeu todas as refeições com a família.
E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.
De uma forma positiva, aprendi que não importa o que aconteça, ou quão ruim pareça o dia de hoje, a vida continua, e amanhã será melhor.
Aprendi que se pode conhecer bem uma pessoa, pela forma como ela lida com três coisas: um dia chuvoso, uma bagagem perdida e os fios das luzes de uma árvore de natal que se embaraçaram.
Aprendi que, não importa o tipo de relacionamento que tenha com seus pais, você sentirá falta deles quando partirem.
Aprendi que "saber ganhar" a vida não é a mesma coisa que "saber viver".
Aprendi que a vida às vezes nos dá uma segunda chance.
Aprendi que viver não é só receber, é também dar.
Aprendi que se você procurar a felicidade, vai se iludir. Mas, se focalizar a atenção na família, nos amigos, nas necessidades dos outros, no trabalho e procurar fazer o melhor, a felicidade vai encontrá-lo.
Aprendi que sempre que decido algo com o coração aberto, geralmente acerto.
Aprendi que quando sinto dores, não preciso ser uma dor para outros.
Aprendi que ainda tenho muito que aprender.

As pessoas se esquecerão do que você disse.
Esquecerão o que você fez...
Mas nunca esquecerão como você as tratou.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Teus Olhos


Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.

Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!

Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas..
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...

Berço vinde do céu à minha porta...
Ó meu leite de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!...

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"


domingo, 16 de junho de 2013

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
 
Pablo Neruda

domingo, 30 de setembro de 2012

Pudesse Eu Contar as Vezes


Pudesse eu contar as vezes que ferrei os cantos da boca imaginando que eram teus os dentes que assim me amavam; que eram os teus lábios aqueles que, nessas ocasiões, eu mordia. Lembras-te de uma frase que costumavas citar, por tê-la escutado em qualquer parte, ou lido, já não sei bem? Aquela que dizia
- A minha anatomia enlouqueceu; sou toda coração.
Pois é como me tenho sentido, mais ou menos assim, com a anatomia enlouquecida, sem saber já quais são os meus dentes ou qual a minha boca; como se cada pedaço meu não fosse mais do que saudade de ti: o desejo de te voltar a ver, de te cobrir outra vez de beijos - olhos, boca, rosto, o corpo todo de beijos -, de te abraçar e sentir o teu cheiro, de tomar nas mãos o ramo crespo dos teus cabelos e inalar a fragrância do teu pescoço. Possuo agora, em mim apenas, nos limites da minha topografia, toda a exaltação dos nossos corpos e sinto que não chego para tanto porque a soma de nós dois excedeu sempre a existência física dos nossos corpos. É como se rebentasse por dentro e tivesse de esticar a alma - ou lá o que é - para me ser possível reter ao menos um pouco do que daí sobrou.

Manuel Jorge Marmelo, in 'O Amor É para os Parvos'


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Meu Soneto


Em atitudes e em ritmos fleumáticos,
Erguendo as mãos em gestos recolhidos,
Todos brocados fúlgidos, hieráticos,
Em ti andam bailando os meus sentidos...

E os meus olhos serenos, enigmáticos
Meninos que na estrada andam perdidos,
Dolorosos, tristíssimos, extáticos,
São letras de poemas nunca lidos...

As magnólias abertas dos meus dedos
São mistérios, são filtros, são enredos
Que pecados d´amor trazem de rastros...

E a minha boca, a rútila manhã,
Na Via Láctea, lírica, pagã,
A rir desfolha as pétalas dos astros!..

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Os teus pés


 
Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.
 
Pablo Neruda

sábado, 1 de setembro de 2012

A Dança


Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


Pablo Neruda

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

É proibido


É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda

sábado, 18 de agosto de 2012

Sensacões, como são difíceis de serem expressas...


O coração bate tresloucadamente, as mãos suam, nervos a flor da pele e aquela incerteza latente: ligar ou não ligar? E se ele não lembrar de mim? E se simplesmente me ignorar??? O que fazer...
Coração retumbando dentro do peito, ansiedade pura, pulsação como se tivesse acabado de correr uma maratona... E então ela decide: vou ligar e seja o que Deus quiser!
Levanta de sua mesa de trabalho, atrolhada de processos complicadíssimos que destrincha com a maior facilidade e o medo se apodera dela...
Não vou desistir, hoje eu vou ligar... Seus dedos tremulam ao digitar os números, código da operadora, 2 números, código da área, + 2, número do telefone, + 08 , são doze intermináveis números que ela digita durante os quais ela simplesmente não raciocina para não desistir.
Números discados, telefone chamando, toca uma, duas, três, ela já até está querendo desligar pensando “viu, ele não atendeu, a culpa não foi minha”! Quando ouve um alô do outro lado, daquela voz tão conhecida, jamais esquecida, apesar do tempo passado, ela tira uma forca que não sabia que possuía e comeca a falar...
Primeiro coisas triviais, “ como tu estás, e o trabalho, saúde?” e todo aquele papo educado que aprendemos a ter, como dizem os franceses “come il faut”... Perguntas que vão, respostas que vêm, questões respondidas e o tempo passando e ela pensando: “ eu não vou conseguir...” Mas ela é uma mulher determinada, que aprendeu a lidar melhor com suas emoções e que acha extremamente injusto esconder seus sentimentos dos outros e de si própria...
Então menciona: “isto não têm nada a ver com você , eu é que preciso te dizer isso...”respira fundo e solta o verbo, com uma coragem que vem das entranhas: “tu não sabes como eu te amei naquela época...”, ela nunca havia dito isso com todas as palavras: EU TE AMO! Apesar das atitudes indicaram, os olhos falarem, mas a boca era reprimida...
Não conseguia dizer durante todos os momentos apaixonados e maravilhosas vividos, essas palavras mágicas... ela ainda era uma menina-mulher, confusa, apaixonada... e achava que não dizendo isso, deixava de entregar o que já havia sido entregue a muito tempo: sua alma, seu coração e seu corpo... Quanta bobagem... só o tempo e a experiência a deixaram ver isso... Vitória! Ela disse! Conseguiu! Está em paz com sua consciência. Disse a quem nunca havia dito que o amava, apesar de um atraso de dez anos, mas isso é detalhe! Ela deixou de dizer, ele deixou de ouvir, será que mudaria algo??? Agora isso não interessa...Ele pareceu um pouco perturbado e diz que ficou emocionado... Retribui com o velho jargão “eu também gostei muito de ti”...
Ela não acredita que cumpriu a missão que tinha estabelecido para si mesma, então se despede: “um beijo para ti” e desliga.

Volta para sua sala, senta em sua mesa, em frente ao seu computador, como se nada tivesse acontecido! Tudo parece igual, seus colegas sérios trabalhando, os processos se avolumando e ela tenta se concentrar, seus olhos enchem de lágrimas, ela havia vencido mais uma batalha! Ela era uma mulher de verdade que não esconde o que sentiu, sente e sentirá! Cresceu e amadureceu!
Se parabeniza mentalmente e pensa: “a liberdade realmente é azul!”

Martha Medeiros

terça-feira, 7 de agosto de 2012

E o que é que ela vê nele?


E o que é que ela vê nele? Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquele Fulano tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana?

Vou contar o que ela vê nele: ela vê tudo o que não conseguiu ver no próprio pai, ela vê uma serenidade rara e isso é mais importante do que o Porsche que ele não tem, ela vê que ele se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, ela vê uma pinta no ombro esquerdo que estranhamente ninguém repara, ela vê que ele faz tudo para que ela fique contente, ela vê que os olhos dele franzem na hora de ler um livro e mesmo assim o teimoso não procura um oftalmologista, ela vê que ele erra, mas quando acerta, acerta em cheio, que ele parece um lorde numa mesa de restaurante mas é desajeitado pra se vestir, ela vê que ele não dá a mínima para comportamentos padrões, ela vê que ele é um sonhador incorrigível, ela o vê chorando, ela o vê nu, ela o vê no que ele tem de invisível para todos os outros.

Agora vou contar o que ele vê nela: ele vê, sim, que o corpo dela não é nem de longe parecido com o da Daniella Cicarelli, mas vê que ela tem uma coxa roliça e uma boca que sorri mais para um lado do que para o outro, e vê que ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, e vê que ela precisa dele e isso o faz sentir importante, e vê que ela até hoje não aprendeu a fazer um rabo-de-cavalo decente, mas faz um cafuné que deveria ser patenteado, e vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo e que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores em casa, e ele vê que ela é tão insegura quanto ele e é humana como todos, vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está, e vê que ela se preocupa quando ele chega tarde e não se preocupa se ele não diz que a ama de 10 em 10 minutos, e por isso ele a ama mesmo que ninguém entenda.

Martha Medeiros

domingo, 24 de junho de 2012

Podem dizer


Pode tudo acontecer,
Mas nada me afastará de você,
Nem, a mas língua provocará
Meu jeito de te amar.

Podem dizer,
Que enlouqueci,
Pois em teus braços,
Perco-me em loucuras.

Pode haver preconceito, inveja.
Falação, mas nada afetará,
Nossa relação.
Suas raízes já se enraizaram,
Em meu coração.

Podem falar, o que quiser,
Mas não deixarei, de ser tua mulher,
Enquanto você quiser,
Teus olhos indicam, bem-me-quer.

Podem dizer que é
Muita teimosia, do real,
Fazer você, minha fantasia.
Pois, é essa alegria que contagia.
Saber, que tenho você,
Ao meu lado, noite e dia.

Não me importo,
O que falam de você.
Eu,... melhor que todos
Conheço-te, bem,
Isso já me, basta!
Por isso, não me aborreço!
Eu te amo!

A Flor de Lis

terça-feira, 19 de junho de 2012

Brilho do olhar


Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Martha Medeiros

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Votos de submissão


Caso você queira posso passar seu terno, aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o longo inverno...
Use capa de chuva, não quero ter você molhado.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.
E verás como minha a minha pele de algodão macio, agora quente, será fresca quando janeiro.
Nos meses de outono eu varro a sua varanda, para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda - Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas - Depois plantarei para ti margaridas da primavera e aí no meu corpo somente você e leves vestidos, para serem tirados pelo total desejo de quimera.
Os meus desejos irei ver nos teus olhos refletidos.
Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.

Nem vou deixar - mesmo querendo - nehuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda a minha poesia.

Fernanda Young

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Palavras que você diz


Quase todo mundo tem um sonho a perseguir
Mas eu tenho você
Está melhor que eu
Portanto, nada dói
Vai ser o melhor que eu
Caminhando com você
Eu sei, eu sei que são palavras que são ditas
Em um instante
Estas são palavras que você jurar
Sem vergonha
Um dia ou outro
Eu sei
Se você descer do céu
O vêm da rua não sabe
Como um eco no mundo
Muito mais rápido que
No primeiro dia, a primeira noite
Eu sonhei com meus olhos
Você parecia tão linda para mim
Esperando na janela
O cheiro da chuva
E eu
Está melhor que eu
Portanto, nada dói
Vai ser o melhor que eu
Caminhando com você
Eu sei, eu sei, são as palavras que você gasta
Num tempo
Então você perca alguns gestos
Um dia ou outro
Porque o amor é como um sopro
Eu sei

Ivano Fossati

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Meditação é um salto


Você nunca pode ir além da mente, se você vai usá-lo.

Você tem que dar um salto, e saltar Isso significa meditação. É por isso que a meditação é ilógico, irracional. E não pode ser feita lógico, não pode ser reduzida a razão. Você tem que experimentar. Se tiver, então só você sabe.

Então tente o seguinte: não pensar sobre isso, tentar - tentar ser uma testemunha de seus próprios pensamentos. Sente-se, relaxado, feche os olhos, deixe seus pensamentos executar assim como as imagens em uma tela de execução. Vê-los, olhá-los, los a fazer seus objetos. Um pensamento surge: olhá-la profundamente. Não pensar nisso, basta olhar para ele. Se você começar a pensar nisso então você não é uma testemunha - Você caiu em uma armadilha.

Há um chifre de fora, um pensamento surge, algum carro está passando, ou um cão late, ou algo assim acontece. Não pense sobre isso, basta olhar para o pensamento. A idéia surgiu, forma tomadas. Agora ele está diante de você. Logo isso vai passar. Outro pensamento irá substituí-lo. Vá em frente a olhar para este processo de pensamento. Mesmo para um único momento, se você é capaz de olhar para este processo de pensamento sem pensar nisso, você terá ganho algo em Testemunhar e você vai ter sabido de algo em testemunhar. Este é um gosto, um sabor diferente do que o pensamento - totalmente diferente. Mas é preciso experimentá-lo.

Religião e ciência são pólos opostos, mas em uma coisa como eles são e sua ênfase é o mesmo: a ciência depende da experiência, e religião também. Só depende apenas de pensar a filosofia. Tanto a religião ea ciência dependem de experiência: a ciência sobre os objetos, a religião em Subjetividade. Ciência depende de experiências com outras coisas além de você, e religião depende de experimentar diretamente com você.

É apologética, porque o pesquisador em ciência está aí, a experiência está lá eo objeto a ser experimentadas está lá. Há três coisas: o objeto, o sujeito e a experiência. Na religião, você é todos os três simultaneamente. Você é o experimento em si mesmo. Está o assunto e você é o objeto e você é o laboratório.

Não vá pensando. Começar, começar por algum lado, para experimentar. Então você vai ter uma sensação direta daquilo que o pensamento é o que está testemunhando. E então você vai vir a saber que Você não pode fazer as duas coisas simultaneamente, como você não pode correr e sentar-se simultaneamente. Se você executar, então você não pode sentar-se, então você não está sentado. E se você está sentado, então você não pode executar. Mas, sentado não é uma função das pernas. Executando é uma função da pernas. Em vez disso, sentado é função não das pernas. Quando as pernas estão funcionando, então você não está sentado. Sentado é uma função não das pernas: a função está sendo executado.

O mesmo com a mente é: o pensamento é uma função da mente; Testemunhar é uma função não-mente. Quando a mente não está funcionando, você tem o testemunho, então você tem a consciência."

Osho

sábado, 7 de abril de 2012

Uns queriam


Uns queriam um emprego melhor; outros, um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, apenas uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam ter pais mais esclarecidos; outros, apenas ter pais.
Uns queriam ter olhos claros; outros, apenas enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, apenas falar.
Uns queriam o silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam um sapato novo; outros, ter pés.
Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo.
Outros, apenas o necessário.

Chico Xavier

sexta-feira, 6 de abril de 2012


Vai menina, fecha os olhos.
Solta os cabelos.
Joga a vida.
Como quem não tem o que perder.
Como quem não aposta.
Como quem brinca somente.
Vai, esquece do mundo.
Molha os pés na poça.
Mergulha no que te dá vontade.
Que a vida não espera por você.
Abraça o que te faz sorrir.
Sonha que é de graça.
Não espere. Promessas,vão e vem.
Planos, se desfazem.
Regras, você as dita.
Palavras, o vento leva.
Distância, só existe pra quem quer.
Sonhos, se realizam, ou não.
Os olhos se fecham um dia, pra sempre.
E o que importa você sabe, menina.
É o quão isso te faz sorrir.
E só.

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 26 de março de 2012

Doçura


Doçura é a maestria dos sentidos.
Olhos que vêem no fundo das coisas,
ouvidos que escutam o coração das coisas,
lábios que falam apenas a essência das coisas.
Doçura é o resultado de uma longa jornada interior
ao âmago da vida
e a habilidade de lá permanecer e observar.
A doçura procura pelo bem nas coisas,
pois no seu coração reside a convicção
de que o bem existe em algum lugar em tudo,
é só ter paciência para descobri-lo.

Brahma Kumaris

domingo, 25 de março de 2012

Desejo que não tenha tanta pressa


Desejo que não tenha tanta pressa,
e que não esqueça de colher estrelas com os olhos,
nas noites em que o céu vira jardim,
e leve para plantar no seu coração
as mudas daquelas mais luzentes.
Que tenha sabedoria para encontrar descanso
e alimento nas coisas mais simples da vida.
Que a cada manhã a sua coragem
acorde bem juntinho de você, sorria pra você,
e o convide para viverem uma história toda nova,
apesar do cenário aparentemente costumeiro.
Que tenha saúde no corpo, saúde na alma, saúde à beça...

Ana Jácomo