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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Em busca da felicidade


Procurando a chave da felicidade, corremos de um lado para o outro.
Esperamos que tudo o que nos preocupa se resolva num passe de mágica e afirmamos que a vida seria tão diferente, se pelo menos fôssemos felizes.
E, assim, uns fogem de casa para serem felizes e outros fogem para casa para serem felizes.
Uns se casam para serem felizes; outros se divorciam para serem felizes.
Uns fazem viagens caríssimas para serem felizes; outros trabalham além do normal para serem felizes.
Nunca a Lua está ao alcance da mão. Nunca o fruto está maduro. Nunca o vinho está no ponto.
Alegrias, sombras, lágrimas. Nunca estamos satisfeitos.
Mas, há uma forma melhor de viver......
A partir do momento em que decidimos sermos felizes, nossa busca da felicidade chega ao fim.
É quando percebemos que a felicidade não está na casa nova, no carro novo, naquela carreira, naquela pessoa e por incrível que pareça, jamais está à venda.
Quando não conseguimos achar satisfação dentro de nós para ter alegria, estamos fadados à decepção, aborrecimentos, doenças.
A felicidade não tem nada a ver com conseguir.
Consiste em satisfazer-nos com o que temos e com o que não temos.
Para um homem sábio, poucas coisas são necessárias para a felicidade. O pouco para ele satisfaz, ao mesmo tempo que nenhuma fortuna satisfaria a um inconformado.
As necessidades de cada um de nós são poucas.
Enquanto nós tivermos alguma coisa para fazer, alguém para amar, alguma coisa a esperar, seremos felizes.
Saiba: A única fonte de felicidade está dentro de nós, e deve ser repartida.
Repartir nossas alegrias é como espalhar perfumes sobre os outros: sempre algumas gotas acabam caindo sobre nós mesmos. Na incerteza do amanhã... Aproveite hoje para ser feliz.

Vilma Ruho

terça-feira, 2 de março de 2010

A um Ausente

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora. Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas. Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada? Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança. Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade