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segunda-feira, 24 de junho de 2013

A EVITAÇÃO DO AMOR

A vida sempre se nos apresenta de uma forma rica, diversificada e por vezes surpreendente. Assim, há aqueles que preferem o inverno e aqueles que não o suportam, aguardando impacientemente o verão. "Época de andar à vontade" dizem os últimos, "estação de calor insuportável", afirmam os primeiros. Há também aqueles que amam a vida na cidade, são urbanitas de coração. Não suportam uma semana sem shoppings centers, cinemas sofisticados e conforto. Há, porém aqueles a quem a vida na cidade é um mal necessário, e mal conseguem esperar o próximo feriadão para partir em direção à praia, campo ou serra. E há aqueles que não vivem sem um companheiro, uma mulher, um namorado, um amor. Desacompanhados, se fazem depressivos, carentes, frustrados. Em contrapartida, há aqueles que são solitários por opção, convictos que relacionamentos amorosos são sofridos, inoportunos, incomodativos.

Mas será esta última escolha, como outras, também uma questão de "gosto", ou estilo de vida?

Não, afirmaria o benfeitor espiritual, chamado simplesmente de "Guia", que tantas conferências proferiu pela médium Eva Pierrakos, sempre encerrando nelas grande sabedoria. A vivência do amor, incluindo o amor romântico (entre um ser masculino em um feminino), é o estado mais sublime, e, portanto indispensável para nossa felicidade.

Assim sendo, quando evitamos o relacionamento amoroso, evitamos a seiva da vida. Disto conclui-se que tal atitude traz em si mesma algum bloqueio, medo, limitação ou mesmo uma patologia da alma.

Não generalizando, (...) vemos o caso de muitas pessoas que se esquivam da relação amorosa, seja vivendo-a superficialmente, seja afastando-se de todo. Incluímos aqui aqueles que não se permitem apaixonar e aqueles que se detém apenas na paixão, sem viver o amor. Tais pessoas mantêm a ilusão de que os problemas são produzidos pelos outros, porque sentem-se perturbadas apenas quando estão com eles.

Um dos motivos para tal distanciamento é a ilusão de auto-perfeição gerada no isolamento, e que se desvanece nas dificuldades que se mostram no relacionamento, pois este revela nossas fragilidades e imperfeições que de outra forma se ocultam. Podemos dizer que o relacionamento ativa estas imperfeições, de forma que possam ser tornadas conscientes e trabalhadas.

A ilusão de paz interior e de unidade que provém do fato de evitar o relacionamento tem levado a conceitos de que o desenvolvimento espiritual é favorecido pelo isolamento. É um equívoco. Por certo não ignora-se o benefício de períodos de solitude, onde o silêncio de fora torna possível ouvir a voz interior. Referimos, pois, àqueles que tomam tal atitude como sistemática, tal como comentado por Allan Kardec na Lei de Sociedade, inclusa na terceira parte do Livro dos Espíritos.

No entanto quanto menos a pessoa desenvolve o contato, mais agudo se torna o anseio por ele, resultando no sofrimento da solidão e na frustração – eis que se forma então um conflito. Por um lado, há sofrimento no relacionamento, e por outro há sofrimento na solidão, mesmo que seja uma dor inconsciente.

Naturalmente estamos citando aqui aqueles que assim procedem pela dificuldade de contato, que não vivem um relacionamento porque não conseguem, pois há pessoas amáveis, embora sozinhas, que saberiam viver uma relação afetuosa, intensa, cuidadosa, caso encontrassem na Terra uma alma que lhe fosse recíproca. Vemos que há outros motivos distantes da esfera da neurose para justificar a vida ou um largo período de vida sem um cônjuge, como necessidades de vivências outras programadas de antemão pela espiritualidade maior. Por exemplo, há aqueles que não investem em uma relação conjugal por percebê-la incompatível a um trabalho assistencial, portanto o fazem por amor e por ideal. Um exemplo máximo é o de Chico Xavier, que embora não indiferente ao amor, compreendeu que seu caminho nesta encarnação era solitário. Porém, de uma forma geral, vemos como muito saudável a predisposição de qualquer ser em encontrar o amor, de forma que se algum impedimento houver, será determinado por motivos justos pelas forças divinas.

Há que se ter cuidado com os motivos que nos levam ao distanciamento do relacionamento amoroso, pois que usamos alguns que a razão aprova, mas que inconscientemente apenas encobrem os verdadeiros motivos, que são da esfera da neurose – a isto chamamos na psicologia de racionalização. Em nosso filme, o motivo real pode ser o medo inconsciente, revestido de ideais que a razão justifica. Não seria preciso dizer que a conseqüência desta atitude será a frustração e uma espécie de vazio interior. Para exemplificar, se for um médium espírita, a pessoa pode justificar que a evitação de uma relação se deva à sua missão – mas será este o verdadeiro motivo? Não estará encobrindo outras razões inconscientes? Cabe a cada um refletir.

(...) Dizia então o Guia que "as pessoas que têm medo de suas emoções e da vida farão tudo para evitar subconscientemente a unidade com outro ser", visto que, acrescentamos, a união amorosa lhes convidam a compartilhar daquilo que tanto temem: seus sentimentos. Ainda assim, embora este medo exista, poucos há que não deixem uma brecha para a Paixão se apresentar, como foi o caso do filme. Este medo pode ter muitas origens, entre estas porque numa vida anterior tiveram uma experiência amorosa infeliz (quem sabe um desfecho trágico, uma grande frustração, uma traição), ou talvez porque a alma abusou sofregamente da beleza da força erótica sem edificá-la na direção do amor, e ao reencarnar decidiu ser mais cuidadosa, o que se tornou equivocadamente um exagero.

(...) Existem pessoas que tem medo não da Paixão, ou da Força Eros, mas do Amor. Assim, para estes, a beleza de Eros os leva a procurá-lo com voracidade. Buscam um objeto de experiência após o outro, emocionalmente ignorantes demais para compreender o significado profundo deste movimento que começa pela paixão e se eterniza no amor. A paixão, visto ser uma pequena amostra do mais pura amor, deste estado celestial que procuramos, é procurada renovadamente, mas sem a capacidade pessoal de convertê-la em verdadeiro amor. Elas não têm vontade de aprender o amor puro.

Assim como comprometimentos de outras vidas, podem haver processos atuais vários, como por exemplo o amor edípico, onde uma espécie de compromisso amoroso inconsciente se organiza com o genitor de sexo oposto, e qualquer outro compromisso mais sério com o amor traduz-se por um sentimento de traição.

(...) É possível, pois, "medir a realização pessoal de uma pessoa pelo grau de profundidade do relacionamento e do contato íntimo, pela força dos sentimentos que a pessoa se permite experimentar e pela disposição de dar e receber". O relacionamento com os outros é um espelho do próprio estado pessoal.

Evitar, temer, limitar, bloquear o amor é gerar sofrimento, é paralisar espiritualmente, é manter-se em um estado de separatividade com a vida e com o criador, é ressecar a fonte do líquido precioso da vida. Há que se viver com alma, e para nutri-la, somente o amor.

Luís Augusto Sombrio

domingo, 16 de junho de 2013

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
 
Pablo Neruda

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Anjo da Fé

Anjo do Mês Dezembro 2012 - Anjo da Fé

Anjo da F�
Se trabalhou com o Anjo da Alegria durante o mês de Novembro, dê-se alguns minutos para deixá-lo ir com gratidão, antes de dar as boas vindas ao Anjo da Fé à sua vida para o mês de Dezembro.

Mensagem de Inspiração

O absoluto saber do coração quando nada parece fazer sentido para a mente. Otimismo é uma expressão da fé em ação.
A fé é o sopro de Deus que inspira as nossas almas. Não podemos vê-lo, podemos apenas senti-lo - quando prestamos atenção. A dúvida é uma incerteza de que a nossa força espiritual estará disponível em tempos de dificuldades, dor e doença. É normal sentir dúvida espiritual. Na verdade, momentos de dúvidas pode levar aos nossos maiores momentos de transformação e pode-nos abrir para a fé.
O futuro é desconhecido e, portanto, traz consigo um sentimento de incerteza. É a fé que nos ensina a contemplar o invisível que está para além das nossas mãos, e não através do poder do conhecimento.
A nossa fé liga o passado ao futuro e dá-nos um tipo de seriedade espiritual. Ela reafirma que Deus está no futuro bem como no presente e no passado. Tudo aquilo que não pode ser conhecido está em Deus e inclui a nós, às nossas famílias, amigos e todo o bem-estar coletivo; ontem, hoje e amanhã de todas as maneiras.
A preocupação é uma bandeira onde a fé espera para entrar. Deixe de lado as suas ideias pré concebidas e tenha confiança de que o seu coração irá ampará-lo. Não existem experiências acidentais ou estados interiores casuais. As dimensões espirituais da vida são reais, na verdade mais reais do que o que chamamos de vida nesta terra. A fé é o princípio unificandor que tece todas as nossas experiências num só tecido.
Que este mês lhe traga um aumento de fé trazendo uma visão revigorada e uma perspectiva renovada.
Calorosamente,
Kathy Tyler
©2008 InnerLinks
As Cartas dos Anjos® é uma marca registrada da InnerLinks.

domingo, 30 de setembro de 2012

Pudesse Eu Contar as Vezes


Pudesse eu contar as vezes que ferrei os cantos da boca imaginando que eram teus os dentes que assim me amavam; que eram os teus lábios aqueles que, nessas ocasiões, eu mordia. Lembras-te de uma frase que costumavas citar, por tê-la escutado em qualquer parte, ou lido, já não sei bem? Aquela que dizia
- A minha anatomia enlouqueceu; sou toda coração.
Pois é como me tenho sentido, mais ou menos assim, com a anatomia enlouquecida, sem saber já quais são os meus dentes ou qual a minha boca; como se cada pedaço meu não fosse mais do que saudade de ti: o desejo de te voltar a ver, de te cobrir outra vez de beijos - olhos, boca, rosto, o corpo todo de beijos -, de te abraçar e sentir o teu cheiro, de tomar nas mãos o ramo crespo dos teus cabelos e inalar a fragrância do teu pescoço. Possuo agora, em mim apenas, nos limites da minha topografia, toda a exaltação dos nossos corpos e sinto que não chego para tanto porque a soma de nós dois excedeu sempre a existência física dos nossos corpos. É como se rebentasse por dentro e tivesse de esticar a alma - ou lá o que é - para me ser possível reter ao menos um pouco do que daí sobrou.

Manuel Jorge Marmelo, in 'O Amor É para os Parvos'


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Esta Velha Angústia


Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado!

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa


sábado, 1 de setembro de 2012

A Dança


Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


Pablo Neruda

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Acaso


No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.
Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.

Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos...
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser... A rapariga loira?
É a mesma afinal...
Tudo é o mesmo afinal ...

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Um Amor de Verdade

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Viver uma verdadeira experiência amorosa é um dos maiores prazeres da vida. Gostar é sentir com a alma, mas expressar os sentimentos depende das idéias de cada um. Condicionamos o amor às nossas necessidades neuróticas e acabamos com ele. Vivemos uma vida tentando fazer com que os outros se responsabilizem pelas nossas necessidades enquanto nós nos abandonamos irresponsavelmente.

Queremos ser amados e não nos amamos, queremos ser compreendidos e não nos compreendemos, queremos o apoio dos outros e damos o nosso a eles. Quando nos abandonamos, queremos achar alguém que venha a preencher o buraco que nós cavamos. A insatisfação, o vazio interior se transformam na busca contínua de novos relacionamentos, cujos resultados frustrantes se repetirão.

Cada um é o único responsável pelas suas próprias necessidades. Só quem se ama pode encontrar em sua vida Um Amor de Verdade.
 
Zíbia Gasparetto

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Teus filhos não são teus filhos...


Eles são os filhos e filhas do anseio da Vida por si própria.
Ele vêm através de ti, mas não de ti,
E ainda que contigo estejam, não te pertencem.
Tu podes dar-lhes teu amor mas não teus pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Tu podes hospedar seus corpos mas não suas almas,
Pois suas almas moram na casa do amanhã, a qual não podes visitar, nem mesmo em sonhos.
Podes empenhar-te em ser como eles, mas não procure fazê-los como tu és.
Pois a vida não caminha para trás nem delonga-se no ontem.
Sois os arcos dos quais seus filhos como flechas vivas são lançados adiante.
O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito, e Ele vos curva com Sua força para que Suas flechas sigam velozes e para longe.
Deixe que sua curvatura nas mãos do Arqueiro seja para a alegria;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que é firme.

Khalil Gibran (O Profeta)

sábado, 18 de agosto de 2012

Sensacões, como são difíceis de serem expressas...


O coração bate tresloucadamente, as mãos suam, nervos a flor da pele e aquela incerteza latente: ligar ou não ligar? E se ele não lembrar de mim? E se simplesmente me ignorar??? O que fazer...
Coração retumbando dentro do peito, ansiedade pura, pulsação como se tivesse acabado de correr uma maratona... E então ela decide: vou ligar e seja o que Deus quiser!
Levanta de sua mesa de trabalho, atrolhada de processos complicadíssimos que destrincha com a maior facilidade e o medo se apodera dela...
Não vou desistir, hoje eu vou ligar... Seus dedos tremulam ao digitar os números, código da operadora, 2 números, código da área, + 2, número do telefone, + 08 , são doze intermináveis números que ela digita durante os quais ela simplesmente não raciocina para não desistir.
Números discados, telefone chamando, toca uma, duas, três, ela já até está querendo desligar pensando “viu, ele não atendeu, a culpa não foi minha”! Quando ouve um alô do outro lado, daquela voz tão conhecida, jamais esquecida, apesar do tempo passado, ela tira uma forca que não sabia que possuía e comeca a falar...
Primeiro coisas triviais, “ como tu estás, e o trabalho, saúde?” e todo aquele papo educado que aprendemos a ter, como dizem os franceses “come il faut”... Perguntas que vão, respostas que vêm, questões respondidas e o tempo passando e ela pensando: “ eu não vou conseguir...” Mas ela é uma mulher determinada, que aprendeu a lidar melhor com suas emoções e que acha extremamente injusto esconder seus sentimentos dos outros e de si própria...
Então menciona: “isto não têm nada a ver com você , eu é que preciso te dizer isso...”respira fundo e solta o verbo, com uma coragem que vem das entranhas: “tu não sabes como eu te amei naquela época...”, ela nunca havia dito isso com todas as palavras: EU TE AMO! Apesar das atitudes indicaram, os olhos falarem, mas a boca era reprimida...
Não conseguia dizer durante todos os momentos apaixonados e maravilhosas vividos, essas palavras mágicas... ela ainda era uma menina-mulher, confusa, apaixonada... e achava que não dizendo isso, deixava de entregar o que já havia sido entregue a muito tempo: sua alma, seu coração e seu corpo... Quanta bobagem... só o tempo e a experiência a deixaram ver isso... Vitória! Ela disse! Conseguiu! Está em paz com sua consciência. Disse a quem nunca havia dito que o amava, apesar de um atraso de dez anos, mas isso é detalhe! Ela deixou de dizer, ele deixou de ouvir, será que mudaria algo??? Agora isso não interessa...Ele pareceu um pouco perturbado e diz que ficou emocionado... Retribui com o velho jargão “eu também gostei muito de ti”...
Ela não acredita que cumpriu a missão que tinha estabelecido para si mesma, então se despede: “um beijo para ti” e desliga.

Volta para sua sala, senta em sua mesa, em frente ao seu computador, como se nada tivesse acontecido! Tudo parece igual, seus colegas sérios trabalhando, os processos se avolumando e ela tenta se concentrar, seus olhos enchem de lágrimas, ela havia vencido mais uma batalha! Ela era uma mulher de verdade que não esconde o que sentiu, sente e sentirá! Cresceu e amadureceu!
Se parabeniza mentalmente e pensa: “a liberdade realmente é azul!”

Martha Medeiros

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Psicografia


Por que algumas pessoas não conseguem um contato espiritual com os entes queridos que já partiram?
A mediunidade é um dom comum a todos os seres humanos em maior ou menor grau. É a capacidade de entrar em contato com os espíritos desencarnados.
A sensibilidade mediúnica apurada pode ser uma missão ou então uma prova para o espírito resgatar débitos passados.
Atualmente, o dom mais comentado é o da psicografia. O médium de psicografia é aquele que tem a capacidade de obter mensagens escritas de espíritos desencarnados. Sejam de cunho intelectual com o objetivo de esclarecer os homens ou mesmo de espíritos que desejam se comunicar com aqueles que deixaram na Terra.
Psicografia mecânica: quando o médium não tem consciência daquilo que escreve. Sente o impulso na mão, mas o conteúdo da mensagem não passa através do seu cérebro. Essas mensagens podem conter detalhes do espírito desencarnado como o tipo de letra, apelidos e nomes que o médium desconhece. Trazem consolo e a certeza da vida pós-morte. Mediunidade rara. Ex: o saudoso médium Chico Xavier.
Psicografia semi-mecânica: o médium sente o impulso na mão e, ao mesmo tempo, alguma consciência daquilo que escreve. Mediunidade comum.
Psicografia intuitiva: o médium tem total consciência daquilo que escreve. Esse dom pode permitir mensagens de conteúdo esclarecedor para muitas almas. O médium tem que ter disciplina e muito equilíbrio para discernir o que é seu e o que é do espírito. Mediunidade comum.
Médiuns inspirados: recebem inspiração dos mentores siderais, mas nem sempre sabem disso. Acham que foi um insight ou apenas um momento de inspiração.
Por que algumas pessoas mesmo após várias tentativas não conseguem contato com as pessoas queridas que partiram pra outra dimensão?
Na verdade, a separação da morte é ilusória. Em todos os momentos estamos em contato com os espíritos desencarnados. Mesmo durante o sono o espírito de uma mãe saudosa pode reencontrar seu filho na espiritualidade. Ela acorda mais calma e esperançosa com a doce lembrança do seu filho através de um sonho revelador. O desdobramento é capacidade que o espírito tem de sair do corpo seja de modo consciente ou inconsciente. O sonho é apenas o repouso do corpo. A alma, durante o sono, fica livre para reencontrar seus afetos na outra dimensão.
O saudoso médium Chico Xavier nos deu uma lição de vida, amor e caridade. Quando alguém lhe pedia uma mensagem de um ente querido ele afirmava: "O telefone só toca de lá para cá".
O desencarne de um ente querido traz desespero àqueles que não acreditam na vida após a morte. Acreditam que morreu, acabou. A certeza da vida eterna é conforto espiritual que ameniza a saudade.
Quando sofremos uma cirurgia ou ficamos doentes precisamos de um tempo para a recuperação do nosso organismo.Se viajarmos para terras distantes precisaremos de adaptação aos costumes estrangeiros. O que dizer de alguém que regressa para a pátria espiritual? Precisa se adaptar ao novo estado. Curar dos traumas do desencarne e, muitas vezes, acordar de um sono reparador. Alguns espíritos partem para o plano espiritual de forma drástica e súbita através do suicídio, acidentes. E precisam de tratamento espiritual. Não estão preparados ainda para dar uma mensagem ou recado àqueles que ficaram. Ninguém vira santo depois que morre. Os espíritos desencarnados refletem sobre suas falhas e imperfeições. Alguns espíritos nem sabem que desencarnaram porque em nada acreditavam quando na vida terrena.
Deus é muito bom! Ele sempre dá alguma compensação para aqueles que sofrem. Seu ente querido conhece seus pensamentos. Receberá seu carinho mesmo em outra dimensão. Preste atenção aos sinais que a vida lhe dá:
Sensação de presença: a pessoa sente a presença do ente querido. Pode sentir arrepios, calafrios, tontura. O cheiro da pessoa amada.Nesse momento faça uma prece. Pode até conversar com ele mentalmente. Ele sentirá a força do seu afeto. O bom senso tem que estar presente. A vigilância de nossos atos e pensamentos são o escudo que nos protegem das entidades falsas ou zombeteiras. Elas se aproveitam do nosso desespero para se fazer passar pelos entes queridos desencarnados. Utilize sempre o recurso da prece e de uma vida saudável. O luto prolongado e a revolta só trazem desconforto e desespero. Os espíritos gostam de ser lembrados,mas a revolta e o apego excessivo fazem mal a eles. Aceite o sofrimento, a saudade, mas com a luz esclarecedora da fé.
Mensagem psicografada: através de um médium de psicografia os espíritos desencarnados trazem mensagens e recados. Aliviam a saudade daqueles que ficaram. Se você ainda não recebeu ainda uma mensagem tenha paciência. Seja forte! Deus sabe o momento certo e tudo tem uma razão de ser.
Sonhos: alguns sonhos podem ser mesmo um reencontro com a pessoa querida. A diferença de um sonho para um desdobramento é que acordamos com a certeza de que reencontramos a pessoa querida. Há uma sensação de alívio e bem estar. Nosso mentor espiritual ou anjo de guarda pode facilitar esse desdobramento.
Psicofonia: a psicofonia é a capacidade do médium de incorporar o espírito desencarnado. Através dessa incorporação o espírito desencarnado pode conversar com as pessoas e transmitir as suas mensagens.
Intuição: os laços de amor e afeto prosseguem após à morte. Há uma ligação energética e fluídica que, às vezes, permite sentir como está a pessoa querida no plano espiritual.

Conheço muitas pessoas que não são espíritas e não tem religião definida. Perderam entes queridos de forma trágica. Esposos dedicados que morreram de forma súbita. Filhos queridos que desencarnaram após um grave acidente. Crianças que desencarnaram após doença longa. Jovens que partiram através do suicídio, depressão grave e experiência com drogas. Mesmo assim, esses entes queridos prosseguem firmes na jornada terrena com a crença de que eles viverão para sempre dentro da sua lembrança. Encontram na caridade a força para continuar vivendo!
O consolo chegará de acordo com o merecimento e a evolução espiritual de cada um.
A doutrina espírita nos traz o conforto da fé raciocinada, da certeza da vida eterna.
Cada um, de acordo com sua fé ou religião, tem a proteção das forças espirituais positivas. Não estamos sós na jornada na vida!
A vida é eterna! Um dia, todos nós reencontraremos aqueles que já se foram e nos são caros.

Texto de Sandra Cecília - www.relaxmental.com.br - relax.mental.blog.uol.com.br

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Uma missão divina


Uma missão divina não significa um sacrifício, nem uma fuga do mundo, nem uma rejeição às alegrias da beleza e da natureza; ao contrário, significa um grande e pleno aproveitamento de todas as coisas.
Significa fazer o trabalho que amamos com toda a alma e com todo o coração, seja ele cuidar da casa, trabalhar na fazenda, pintar, representar, ou servir ao nosso semelhante, dentro e fora de casa.
E esse trabalho, seja qual for, se o amamos acima de qualquer outra coisa, é o supremo mandamento de nossa alma, a tarefa que temos de cumprir neste mundo, a única em que podemos nos sentir sinceros, interpretando na matéria a mensagem do nosso verdadeiro Eu.
Podemos, dessa forma, julgar pela nossa saúde e felicidade se estamos interpretando bem essa mensagem.

Edward Bach

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...


Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito:

"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório na quadra de esportes".

No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando sua vida e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na quadra de esportes era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:

- Quem será que estava atrapalhando o meu progresso?
- Ainda bem que esse infeliz morreu!

Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecer o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a cada um deles.

A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?

No visor do caixão havia um espelho e cada um via a si mesmo... Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. "SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU(SUA) NAMORADO(A) MUDA. SUA VIDA MUDA... QUANDO VOCÊ MUDA! VOCÊ É O ÚNICO RESPONSÁVEL POR ELA."

O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos e seus atos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando "você muda".

Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O amor aguarda você ser feliz


O verdadeiro sentido do amor vai muito além da posse, do apego, do rancor, da culpa e de alguns sentimentos que nos confundem quando não olhamos para nós mesmos. E sinceramente temos a mania de achar que o amor é algo que se busca, algo para ser encontrado em alguma esquina. Buscamos o amor nas festas, nos bares, restaurantes e agora também na internet. Parece ser algo urgente, pois nos ensinaram quem só o amor constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade.
Há um grande equívoco nessa procura ansiosa, cada vez mais acelerada, cada vez mais esquisita. Amor não é remédio, não existe para curar um mal estar que você mesmo criou dentro de si e que, portanto, só você mesmo pode curar. Portanto, se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará.
Caso o faça, vai frustrar todas as suas expectativas, por que o amor quer ser recebido com saúde e leveza. O amor não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas como um antibiótico para combater as bactérias da solidão e da baixa alto-estima. O amor não é tolo, quer ser bem tratado, escolhe as pessoas que, antes de tudo tratam bem de si mesmas. Ao contrário do que se pensa, ele não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir de seu surgimento, tudo mais dará certo.
O amor, ao contrário do que pensa os afoitos candidatos a amantes, não tem pressa... ele espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você. Esta é sua condição inegociável, é pegar ou largar. Ser feliz é uma necessidade natural da alma e não uma meta traçada e planejada a ser alcançada. Não envolve estratégias, só sensações. A vida sempre acontece quando a gente não está preocupado em explicá-la. Quando perdemos tempo conceituando a vida, estamos deixando-a escapar.
O amor é, portanto, a fragilidade, não a força. É serenidade, água, mansidão... não tem nada a ver com agito, fogo, procura, apartamentos, piscinas, férias no exterior, passagens, carros e, muito menos, com princesas e príncipes encantados. Amar exige coragem, muita coragem, por que é entrega e está todo mundo viciado em trocas e mais trocas - tudo que o amor abomina.
Estamos sempre fazendo algo esperando pela recompensa imediata. Se o desejo não é atendido, a frustração logo aparece, a sensação de abandono se instala, a tristeza vem e com ela perde-se toda e qualquer possibilidade de felicidade.
Muitos são os cobradores, pouquíssimos são os doadores. Daí vem o desequilíbrio, daí vem o desamor que hoje é o maior defeito do homem. Somos mendigos de uma coisa que temos em abundância dentro de nós. Ainda não aprendemos que o amor que reivindicamos é o mesmo que precisamos dar, por que tudo começa em nós. Estamos sempre esperando que o outro tome a iniciativa.
O mesmo acontece com ele.
E assim o amor agoniza... sobrevive da eterna ilusão da busca, da procura, dos encontros mágicos que as novelas ajudam a instalar nas mentes mais desavisadas, quando tudo o que o amor anseia é pela distração, pelo silêncio... pela dança sem a necessidade da música.
Acredito estar só no início de um longo caminho a ser trilhado, longe de mim achar que realmente o amor é isso tudo que escrevi, pois esse sentimento só sabe quem sente...mais foi assim que o budismo me ajudou a cada noite mal dormida, a cada decepção, a cada frustração...me levantar e acreditar que amor chega na hora certa...
Através da recitação do nam myoho rengue kyo estou conseguindo transformar minha vida, inúmeros são os benefícios materiais mais não cabe nesse momento falar, já que o benefício maior para mim hoje é poder amar todos a meu redor independente de qualquer coisa. E como diz o nosso mestre Ikeda: "Amar não é quando duas pessoas olham uma para a outra, mas quando olham na mesma direção. O amor libera não encarcera."
M. Vinícius Sassone
Fonte: http://www.estadodebuda.com.br

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O bom jardineiro


Mais um dia se inicia. Como um milagre da vida aqui estás, desfiando perigos, ameaças que poderiam comprometer a continuidade da tua existência física. Apesar da violência que ronda as esquinas, a poucos metros de onde passas diariamente, aqui estás, prosseguindo com o roteiro estabelecido por ti mesmo para crescer enquanto alma eterna.

Perceba que não há o que temer. Se permaneces na vida terrena é porque ainda tens caminhos a percorrer por aqui. Se partires para o plano espiritual, haverá tantas outras belas estradas a seguir. Tudo dependerá do padrão vibratório que estiveres adotando. Se vibras no Bem, tua alma encarnada ou não estará feliz e em paz. Mas se a tua energia, pensamentos e sentimentos estiverem focados no mal, a tranquilidade e a harmonia não poderão fazer morada seja qual for o plano em que estiveres.

Enquanto ainda houver um traço de atraso na tua postura, nas condutas e crenças haverá trabalho de jardineiro a ser realizado nos canteiros do teu coração e da tua mente. Começa recolhendo folhas secas, amareladas, ervas daninhas, pragas. Esteja atento para não te apegares a elas. O hábito da convivência com os vícios e distorções de comportamento nos faz acreditar que este é o caminho certo. Cuidado com as ilusões neste sentido.

Reavalia dia a dia todos os teus atos, pensamentos, sentimentos, decisões. E, como bom jardineiro, arranca um a um aquele que não está sintonizado com o Bem, com a Justiça, com a Verdade e a Caridade.

Depois da limpeza, revolve a terra para que o oxigênio a revigore, coloca o adubo dos bons sentimentos, do Amor, da Fraternidade e da Compaixão. Rega as plantas com a Bondade e a Doação e ainda coloca novas sementes para que os antigos sentimentos convivam com o novo.

Em breve, colherás os resultados e, feliz, celebrarás a continuidade de uma vida de plenitude e vitórias, na conquista dos verdadeiros valores da vida, os da alma!

Luz e paz!

Maria Rosa
mensagem psicografada pela médium Cristina Barude, Salvador, 14.06.12)

domingo, 17 de junho de 2012

O amor romântico


O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Círculos Mágicos


Dizem que tudo o que estamos procurando, também nos está procurando e que, se nós pararmos quietos: - nos encontrará. É algo que há muito tempo está nos esperando. Quando chegar, não se mova. Descanse. Você vai ver o que acontece em seguida.

Desejo que hoje experimente a paz dentro de você, que você confie que está exatamente onde você deve estar, que não se esqueça das infinitas possibilidades que nascem da confiança em você mesma e nos outros, que utilize os dons que você recebeu e que transmita aos outros o amor que recebeu. Espero que você esteja feliz consigo mesma por quem você é. Deixe esta sabedoria penetrar em seus ossos e deixe sua alma cantar, dançar e amar livremente. Ela esta aí para cada um de nós.

Paz e Luz!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Amor


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A alegria da doação


Quando você ofertar alguma coisa a alguém, faça isso de coração, nunca porque você espera que amanhã vá receber algo em troca.
Disso a vida se encarrega.
Quando você amar, ame intensamente.
Quando der uma esmola, doe e se esqueça.
Quando perdoar, perdoe incondicionalmente.
Os gestos que não são acompanhados de um sincero sentimento do coração, são vazios e inúteis e em nada engrandecem a você.
Mesmo que sejam pequenos os gestos que você expressar, que venham sempre acompanhados da alegria do seu coração.
Tais manifestações da alma, serão sempre recebidas com grande satisfação por quem os recebe.
Muitos bens materiais são perecíveis, ao passo que o bem que fazemos para o nosso próximo nos enriquece a alma eternamente.
Quando investimos na felicidade dos outros, sem saber estamos investindo na nossa própria felicidade.
A bondade é uma dádiva que todos recebem. Só que uns descobrem e outros não; uns utilizam e outros não. Isso faz uma grande diferença entre as pessoas.
Se você acha que é pobre demais para oferecer algo ao próximo é porque ainda não percebeu que tempo é realmente dinheiro, a riqueza que é seu sorriso e o valor que tem sua oração.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

As lentas nuvens fazem sono


As lentas nuvens fazem sono,
O céu azul faz bom dormir.
Bóio, num íntimo abandono,
À tona de me não sentir.

E é suave, como um correr de água,
O sentir que não sou alguém,
Não sou capaz de peso ou mágoa.
Minha alma é aquilo que não tem.

Que bom, à margem do ribeiro
Saber que é ele que vai indo...
E só em sono eu vou primeiro.
E só em sonho eu vou seguindo.

Fernando Pessoa