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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

As mulheres são mesmo um mistério


Tenho pensado cada vez mais acerca da condição feminina. Trata-se de um dos poucos temas da psicologia das pessoas normais sobre o qual nunca escrevi um texto longo – e estou me preparando para fazê-lo. Tenho lido muito a respeito e tenho visto como é pobre a visão que, homens e mulheres, têm de si mesmos – principalmente as mulheres. A dificuldade de homens entenderem as mulheres e vice-versa é mais fácil de aceitar porque temos enorme dificuldade de lidar com diferenças.

As diferenças sempre provocam tendência a comparações. O curioso nas comparações entre homens e mulheres é que quase todos os homens se sentem por baixo, inferiores, a elas. As mulheres variam mais quanto a este aspecto e pelo menos uma boa metade acha a condição feminina mais favorável. É claro que aquele que, ao se comparar, se sentir por baixo, desenvolverá a hostilidade agressiva própria da inveja. O papel da inveja na associação entre o sexo e a agressividade é muito relevante e isso é bem claro para mim já há uns 20 anos.

A nossa época é difícil de ser entendida e as generalizações são perigosíssimas. Existem pessoas pertencentes a pelo menos 3 gerações distintas que se sucederam ao longo dos últimos 30 anos. Existem, por exemplo, os homens que, tendo mais de 35-40 anos de idade, continuam a manifestar todos os comportamentos tradicionais de machismo agressivo ou de reverência intimidada diante das mulheres, especialmente as que lhes despertam o desejo sexual. Existem os homens que hoje estão entre 20 e 35 anos que estão totalmente perplexos e perdidos e não sabem muito bem como se posicionar. Tendem a ver as mulheres de forma mais igualitária, respeitando-as profissionalmente; porém, ainda invejam o poder sensual delas e isso determina duas tendências: uma delas é a de continuar a agir, ainda que de forma disfarçada, da maneira mais tradicional que escrevi a respeito dos mais velhos; a outra maneira é tentar imitar o modo de ser delas, tentando despertar o desejo delas por meio do aprimoramento de suas aptidões físicas; são os que freqüentam as academias, usam cremes, gastam bastante em roupas e outros adornos.

O terceiro grupo é o dos jovens de menos de 20 anos. Estes estão numa boa. Vêem as mulheres reais apenas como parceiras românticas e se interessam sexualmente por elas apenas quando estão namorando. Quando estão sozinhos, se valem das facilidades derivadas do farto material pornográfico à disposição. Não freqüentam as prostitutas e não têm muito interesse no sexo casual. Preferem o sexo virtual ou o sexo no contexto amoroso. Não são paqueradores e não se sentem por baixo pelo fato de não provocarem o desejo das mulheres porque estão sempre muito satisfeitos sexualmente graças aos seus “programas virtuais”. Costumam ser moços serenos e até mesmo um pouco preguiçosos, pois não sentem que precisam fazer muita força ou ter muito sucesso para terem acesso às moças que, não sendo assediadas, passaram a assediá-los – ou a tentar trocar carícias com outras moças.

E as mulheres? Não tenho a impressão de que é possível agrupá-las em 3 tipos – e seus subgrupos – como fiz com os homens. Parecem portadoras de uma multiplicidade que nem elas entendem. Os homens as invejam porque consideram que elas teriam uma enorme facilidade para o sexo casual já que estão sempre sendo paqueradas por alguém (o que não acontece com eles, que têm que ir atrás). A grande maioria delas não se interessa por isso apesar de adorarem se exibir e atrair olhares. Parece que o prazer exibicionista é suficiente para elas, o que não faz o menor sentido para os homens.

Outras têm medo de sua exuberância sexual e tratam de se deformar: engordam demais justamente na mocidade, descuidam de outros elementos de sua aparência. Outras se queixam da falta de orgasmo e a grande maioria nem percebe que o orgasmo não lhes provoca a saciedade parecida com a que acontece com a ejaculação masculina. Buscam mesmo é o sexo associado ao amor e fazem, cada vez mais, o discurso pela igualdade que pede o sexo sem compromisso. Isso justamente quando os homens jovens estão se desinteressando disso. Mulheres homossexuais, diferentemente dos homens, preferem relações estáveis e duradouras. Mulheres heterossexuais sozinhas buscam parceiros na noite e sempre se decepcionam quando não há continuidade. Apesar disso, continuam dizendo que é legal este jogo de sedução e paquera. Muitas são sinceras e se declaram desinteressadas disso e claramente buscando um parceiro fixo. Outras mulheres se divertem de verdade com o sexo casual e as suas amigas as invejam e não sabem porque não são como elas. Umas gostam de tomar a iniciativa na paquera enquanto que outras acham isso terrível.

Bem, basta de confusão por hora. Gostaria de deixar claro que isso é apenas o início da conversa porque as mulheres parecem ser portadoras de uma multiplicidade que surpreende a elas mesmas. A pergunta de Freud "-Afinal, o que querem as mulheres?" parece que não será respondida facilmente; e talvez seja mais difícil para elas dar a resposta do que para um observador masculino.

Flávio Gikovate

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

E tudo mudou...


O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças

Luis Fernando Veríssimo

domingo, 23 de outubro de 2011

Uma pausa para pensar um pouco sobre o amor


A questão amorosa preocupa mais à maioria do que os aspectos essencialmente relacionados com o sexo. Não creio que isso seja justo, pois o sexo ainda é um grande problema a ser melhor resolvido pelas gerações que estão aí e também pelas que virão.

Aconteceu um fato recente que me fez escrever este pequeno texto sobre o amor. Fui convidado para fazer uma pergunta para Rosa Montero (escritora espanhola que foi entrevistada pelo programa Roda Viva da TV Cultura em 10/4). Perguntei se ela achava razoável pensarmos na existência de um fator anti-amor, um fator interno que torna tão difícil e incomum a realização das histórias de paixão, tema de um dos seus trabalhos mais recentes.

A resposta dela foi de tal forma surpreendente que me fez reconsiderar alguns aspectos relacionados com o que já escrevi sobre o assunto: ela desviou totalmente do assunto e parece não ter entendido minimamente o que eu estava falando (havia tradução simultânea para o espanhol)! Compreendi o quanto a maior parte das pessoas, mesmo as mais esclarecidas, ainda é carente de informações a respeito do tema. Ela dizia que a paixão é um vício, algo que só pode durar uns 2 anos; este é o discurso oficial, nada criativo. Dizia também que depois de superada a paixão, as relações ganhavam aquele aspecto cotidiano um tanto monótono e repetitivo. Ela disse que ela mesma havia se apaixonado várias vezes e que as histórias sempre terminavam assim: quando se sai da fantasia para a realidade, o tédio e a monotonia acabam por predominar.

Em síntese, ela disse que ou vivemos o amor como drogados ou então o vivenciamos como um tédio. Nada pode ser mais tradicional, conservador e depressivo do que estas considerações extraordinariamente reacionárias. Dão a impressão de que não há saída e salvação para a questão do amor a não ser pelo esforço enorme de aceitar e respeitar as diferenças que são inerentes ao fato de que o amor real implica em indivíduos específicos. Não fala sobre que diferenças e, com isso, coloca todas as diferenças no mesmo saco. Não preciso enfatizar o quanto acho isso perigoso, pois é muito diferente estar convivendo com um bandido, com uma pessoa sem caráter e desleal, ou com alguém que gosta de acordar cedo quando gostamos mais de dormir até tarde. Há diferenças e diferenças e colocá-las todas juntas é estimular a idéia de que não devemos levá- las em conta já que terão que existir e teremos que trabalhar muito – ainda que no contexto das relações tediosas – para que consigamos ter algum tipo de afetividade pela pessoa por quem antes tínhamos paixão.

Ela fala que, na paixão, amamos mesmo é o estado que o encantamento pelo outro provoca em nós. É verdade. Diz que não amamos a outra pessoa e que amamos mesmo é o amor! Este é mais um capítulo do discurso oficial, tradicional e vazio. Amamos uma determinada pessoa porque ela provoca em nós uma série de sentimentos e sensações e isso é o que venho afirmando há décadas. Amo aquela pessoa cuja presença provoca em mim a sensação de aconchego, de paz e de bem-estar que eu perdi no momento do nascimento. Amo a pessoa porque ela é capaz de provocar em mim emoções muito agradáveis. É mais que lógico que seja assim. O trágico é que muitas pessoas, depois de encantadas, continuam a amar a pessoa apesar dela provocar dor, humilhações e todo o tipo de insegurança e desconforto. Isso não é mais amor e sim uma dependência mórbida que está desconsiderando os fatos e que torna tantas pessoas reféns de parceiros que não valem a pena. Aí as pessoas falam coisas do tipo: ele é péssimo, mas eu o amo! Isso é que não faz o menor sentido. Temos mesmo que amar a pessoa que nos faz feliz, que provoca em nós grandes e prazerosas sensações.

Enfim, eu que pensava que não haveria necessidade de escrever mais nada a respeito do amor decidi, em virtude deste fato e de tantas observações que tenho lido no meu site a respeito da sexualidade (além das consultas on line onde, é claro, os assuntos relacionados com namoros e casamentos desastrosos predominam largamente), tratar de escrever mais sobre o amor, sobre os caminhos que levam à felicidade sentimental. Não é para já porque outros compromissos e projetos em andamento me exigem muito tempo. Mas acho que em 2007 lançarei um texto bem simples e direto que trate de desfazer todos esses mal entendidos.

Quero muito reafirmar mais uma vez que a paixão corresponde a um encantamento de ótima qualidade entre pessoas parecidas que vivenciam este encontro com muito medo. O medo é parte da paixão e dá a ela o caráter aflitivo e tenso que pode se assemelhar ao vício. Quando o medo se atenua, a relação continua a manter todo o vigor e todo o encantamento próprio das relações baseadas na confiança recíproca, numa intimidade totalmente compartilhada e num clima erótico legal. O medo não é outro senão uma manifestação do que chamo de fator antiamor, presente em todos nós, que está principalmente relacionado com o medo da felicidade. Este é o maior obstáculo à realização amorosa. Como todo medo, só pode ser tratado de uma forma: enfrentando-o com consciência, coragem, determinação e persistência.

Flávio Gikovate

sábado, 15 de outubro de 2011

Nossas diferenças são maiores do que pensamos


Sei muito bem o quanto as diferenças provocam em nós sensações complexas e contraditórias. Não toleramos bem diferenças de opinião, especialmente as que vêm de pessoas com as quais temos um relacionamento afetivo, condição na qual nos sentimos abandonados, traídos e sozinhos outra vez. Não toleramos conviver com pessoas diferentes porque elas nos fazem sentir ameaçados, com medo. Não conhecendo o modo de ser delas, podemos sempre temer condutas que nos violentem. Tentamos dominar e controlar tudo e todos os que não entendemos justamente para não nos sentirmos nem abandonados e nem ameaçados.

Uma das defesas que lançamos mão diante das diferenças que nos aparecem como tão ameaçadoras consiste em minimizarmos sua magnitude. Ou seja, nosso esforço caminha na direção de considerar a diferença como menor do que ela efetivamente é. Isso é válido para as diferenças de todo o tipo, mas principalmente para as que existem entre homens e mulheres. O próprio Freud teve grande dificuldade em tentar imaginar o feminino de uma forma original. Ou seja, acabou vendo a mulher como um homem desprovido do pênis, um homem a quem falta algo. Achava também que o grande medo dos homens, principalmente em relação às mulheres (medo este que existe mesmo e pode ser muito intenso), era o de ser castrado e ficar como elas. Isso, naquele tempo, aparecia como uma grande desgraça já que a norma que hierarquizava as diferenças era a de que o homem era o superior, o completo, e a mulher, a inferior, mutilada e passiva.

Para qualquer pessoa que não tenha a mente dogmática e que consiga pensar sobre o assunto de uma forma mais livre e compatível com os fatos atuais – incrivelmente diferentes daqueles observados por Freud há 100 anos atrás – sabe que a condição feminina, se for o caso de hierarquizarmos, terá que ser vista como superior e não inferior. Isso aos olhos dos próprios homens que ou as endeusam ou morrem de inveja delas (e por isso agem da forma agressiva própria do machismo). Não acho que seja o caso de seguirmos esta rota cansada e infrutífera de tentar saber quem é o superior e quem é o inferior. Somos suficientemente diferentes para não podermos ser objeto de comparação.

A verdade é que as pequenas diferenças permitem as comparações e as classificações em superior e inferior, melhor e pior, mais isso ou menos isso! As grandes diferenças não permitem sequer a comparação e muito menos a hierarquização. Os muito diferentes são apenas diferentes e pronto.

A mim aparece cada vez de forma mais evidente que homens e mulheres são muito diferentes do ponto de vista de aspectos biológicos essenciais. A diferença de força física, as diferenças na natureza da sexualidade, importância da aparência física, as variações hormonais, a possibilidade de gerar uma criança, definem, junto com enormes diferenças de caráter educacional (hoje em processo de atenuação) determinam o surgimento de dois tipos bastante diferentes de seres humanos.

O mais complexo, a meu ver, é que a própria ideologia igualitária que vem regendo a forma de pensar de homens e mulheres ao longo dos últimos 50 anos, acaba por confundir ainda mais as mulheres. Elas mesmas não sabem mais se devem caminhar na direção de encontrar sua própria identidade ou de se aproximar do modo de ser dos homens. Na prática, o que acontece é que podem existir as 2 possibilidades: mulheres que mantém o padrão de feminilidade tradicional, mais doméstico e prestativo; e mulheres que se dirigem com tudo para o mundo do trabalho, do sucesso profissional e da competição (antes tradicionalmente masculino). É fato também que a sociedade aceita melhor as mulheres que perseguem os ideais masculinos do que os homens que prefiram viver de acordo com o padrão tradicional feminino. Homens que prefiram ficar em casa, cuidando dos afazeres domésticos e das crianças enquanto suas esposas se dedicam ao trabalho continuam a ser mal vistos. Ou seja, o mundo igualitário ainda é o que privilegia o modo de ser masculino: mulheres podem (e em muitos aspectos devem) agir como os homens, enquanto que os homens devem continuar a agir como homens.

A complicação maior é que, diante de tanta confusão de conceitos, fica difícil darmos origem ao processo de entendimento do que seja o verdadeiro feminino. Até hoje só existe o feminino tratado como subalterno, passivo e dependente do masculino; ou então o feminino que trata de imitar o modo de ser masculino. E as mulheres de verdade onde é que estão? Quem são elas? Existem as que sabem responder à pergunta que realmente interessa: afinal, quem são e o que querem as mulheres?

Flávio Gikovate

domingo, 9 de janeiro de 2011

Mulheres exemplares

Lembre-se sempre que a pele enruga, o cabelo fica branco, os dias se transformam em anos...
Mas o importante não muda:
A nossa força e segurança não têm idade.
O nosso espírito é o espanador de qualquer teia de aranha...
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada engano, há outro desafio...
Enquanto estiver viva, sinta-se viva.
Se fizer algo diferente, volte a fazê-lo.
Não viva de fotos amareladas, siga em frente, ainda que todos esperem que você desista...
Não deixe oxidar o ferro que existe em você.
Quando, por causa da idade, você não puder correr, ande depressa...
Quando não puder andar depressa, caminhe...
Quando não puder caminhar, use a bengala...
Mas não pare nunca!
Nós, mulheres, somos muito especiais. Perseveramos e nunca desistimos!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Superando seus limites


As pessoas que fazem diferença neste mundo são aquelas que acordam, procuram pelas circunstâncias que querem...
Não esperam que as coisas aconteçam, mas fazem as coisas acontecerem.
Quem escolhe o caminho da diferença, faz a diferença.
No entanto a maioria, leva uma vida que não gostaria...
Ao invés de conduzir sua vida, o que fazem?
Estão sempre culpando suas circunstâncias, se sentem vítima, refém, prisioneiros de seu destino.
Vivem uma vida limitada, em trabalhos que não motivam, mal remunerados, relacionamentos tóxicos, vazios ou um tédio interminável.
Então, qual é a solução?
É fazer as coisas de forma diferente, ver com outros olhos!!!!
Muitos fazem as coisas da mesma maneira e esperam que os resultados sejam diferentes.
É preciso deixar as experiências velhas de lado pra deixar chegar as novas.
Mas, para isso, você precisa superar suas próprias limitações...
Seus medos...
Inseguranças....
Desmotivação....
E, principalmente, seus pensamentos limitadores...
Jogue fora o "não consigo", "não posso", "não sou capaz"...
Tudo é uma questão de decisão, de escolha.
Você pode deixar de ser uma criatura impotente diante da vida e assumir o papel de criador e transformador de sua realidade...
Que tal começar a tentar hoje?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Aceitando as Diferenças

Tenho tentado mostrar como nosso relacionamento com as outras pessoas é, na realidade, uma espécie de monólogo no qual esperamos encontrar no outro um espelho de nós mesmos. Isso só ocorre porque somos inseguros e toleramos mal as diferenças de opinião – que nos deixam em dúvida sobre nossas próprias posições – e nos lembram a condição de solidão, da qual tentamos fugir o tempo todo.
Se não somos iguais, cada vez que conhecemos uma pessoa temos de nos dedicar a tentar saber quem ela é. Sim, porque já sabemos que não é obrigatório que ela pense, sinta, julgue e aja como nós. É evidente que deve haver alguns pontos em comum; porém, o importante é detectar com precisão as diferenças, condição indispensável para podermos fazer previsões em relação aos possíveis comportamentos dessa pessoa. Assim, iniciamos o processo de entrar em sua alma, descobrir como ela funciona e, por alguns minutos, vivenciar as coisas sob aquele ponto de vista. A isso chamamos de empatia.
Este processo é completamente diferente de se colocar no lugar do outro levando nossa experiência e nossos pontos de vista. Trata-se de entrar no sistema de pensamento da outra pessoa e pensar segundo as regras que a norteiam. É evidente que se trata de algo mais difícil, já que o modo de ser e de pensar de cada um de nós é fortemente influenciado por aquilo que passamos ao longo dos anos. É difícil conseguirmos nos intrometer na subjetividade de outra pessoa sem cometer alguns equívocos.
Aquele que quiser compreender seu semelhante – mas não igual – terá de se conscientizar de que fazer um juízo moral a respeito de sua forma de pensar tem muito pouca serventia. Entrar na alma do outro é fazer uma viagem totalmente diferente, onde o que interessa é conseguir sentir como o outro sente, pensar como o outro pensa, julgar como o outro julga. Com isso poderemos nos sentir próximos dessa pessoa por um certo tempo, compreendê-la e até mesmo nos sentir solidários a ela. Isso não significa, entretanto, que devemos aceitar todo tipo de comportamento ou nos livrarmos das nossas preocupações éticas.
É evidente que teremos maiores afinidades com aqueles que têm um modo de avaliar as coisas mais ou menos parecido com o nosso. Devemos, porém, tentar compreender aqueles que são bastante diferentes de nós. Isso provocará um enorme enriquecimento da nossa vida interior, pois por meio desse tipo de experiência poderemos vivenciar outros modos de existir e de pensar sobre nossa condição. Compreender e se comunicar com todos os tipos de pessoa será sempre uma empreitada engrandecedora. Por essa via poderemos acumular um conhecimento de vida muito mais rico do que com uma atitude crítica que, na verdade, exclui e despreza tudo e todos que não forem como nós somos.

Flávio Gikovate - Abril/2000

domingo, 12 de setembro de 2010

"Milk", o preço da liberdade

Para continuarmos livres, é preciso defender a liberdade do vizinho como se fosse a nossa

Assistindo a "Milk - A Voz da Igualdade", de Gus Van Sant (extraordinário Sean Penn no papel de Harvey Milk), lembrei-me de um e-mail que recebi em abril de 2008. Era uma circular de www.boxturtlebulletin.com (um site sobre os direitos das minorias sexuais), que "comemorava" os 55 anos de um evento sinistro: em 1953, Dwight Eisenhower, presidente dos EUA, assinou um decreto pelo qual seriam despedidos todos os funcionários federais que fossem culpados de "perversão sexual". Essa lei permaneceu em vigor durante mais de 20 anos: milhares de americanos perderam seus empregos por causa de sua orientação sexual.

Fato frequentemente esquecido (um pouco como foi esquecida, durante décadas, a perseguição dos homossexuais pelo nazismo), nos anos 50, no discurso do senador McCarthy, a caça às bruxas "comunistas" se confundia com a caça às bruxas homossexuais. Por exemplo, uma carta do secretário nacional do Partido Republicano (citada na circular) dizia: "Talvez tão perigosos quanto os comunistas propriamente ditos são os pervertidos escusos que infiltraram nosso governo nos últimos anos". Essa não era uma posição extrema: na época, a revista "Time" defendeu o projeto de despedir todos os homossexuais que trabalhassem para o governo federal.
É nesse clima que, nos anos 70, em San Francisco, Milk se tornou o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público.

Poderia escrever sobre as razões que, quase invariavelmente, levam alguém a querer esmagar a liberdade de seus semelhantes. O segredo (de polichinelo) é que muitos preferem odiar nos outros alguma coisa que eles não querem reconhecer e odiar neles mesmos. E poderia contar a história de Roy Cohn, braço direito de McCarthy, que morreu, em 1984, odiando e escondendo sua homossexualidade e gritando ao mundo que a causa de sua morte não era a Aids (ele foi imortalizado por Al Pacino na peça e no filme "Anjos na América", de Tony Kushner).

Mas, depois de assistir a "Milk", estou a fim de festejar o caminho percorrido em apenas meio século: o mundo é, hoje, um lugar mais habitável do que 50 anos atrás. Aconteceu graças a milhares de Harvey Milks e a milhões de outros que não precisaram ser nem homossexuais nem comunistas nem coisa que valesse: eles apenas descobriram que só é possível proteger a liberdade da gente se entendermos que, para isso, é necessário defender a liberdade de nosso vizinho como se fosse a nossa. Nos anos 70, quase decorei a carta aberta que James Baldwin (escritor, negro e homossexual) endereçou a Angela Davis (jovem filósofa, negra e militante), quando ela estava sendo processada por um assassinato que não cometera, e o risco era grande que o processo acabasse em uma condenação "exemplar". Baldwin lembrava as diferenças de história, engajamento e pensamento entre ele e Davis, para concluir: "Devemos lutar pela tua vida como se fosse a nossa - ela é a nossa, aliás - e obstruir com nossos corpos o corredor que leva à câmara de gás. Porque, se eles te pegarem de manhã, voltarão para nós naquela mesma noite".

Os direitos fundamentais não são direitos de grupo, eles valem para cada indivíduo singularmente, um a um. É óbvio que grupos particulares (constituídos por raça, orientação sexual, ideologia, etnia etc.) podem e devem militar coletivamente pelos direitos de seus membros, mas, em uma sociedade de indivíduos, a liberdade de cada um, por "diferente" que ele seja, é condição da liberdade de todos. Por quê?

Simples: se meu vizinho, sem violar as leis básicas da cidade, for impedido de ter a vida concreta que ele quer, então meu jeito de viver poderá ser tolerado ou até permitido, mas ele não será nunca mais propriamente meu direito. "Milk" é um filme sobre um momento crucial na história das liberdades, mas não é um filme "arqueológico". A gente sai do cinema com a sensação renovada de que a militância libertária ainda é a grande exigência do dia. Ótimo assim.

Um amigo me disse recentemente que eu dou uma importância excessiva à contracultura dos anos 60/70. Acho, de fato, que ela foi a única revolução do século 20 que deu certo e, ao dar certo, melhorou a vida concreta de muitos, se não de todos. Acho também que suas conquistas só se mantêm pelo esforço cotidiano de muitos. Afinal (quem viu o filme entenderá), surge uma Anita Bryant a cada dia.
Contardo Calligaris - ccalligari@uol.com.br

Na minha opinião o elenco é a força do filme, Sean Penn está perfeito! Desempenha seu papel sem exagero, ele incorpora Harvey Milk com maestria. James Franco também dá um show de interpretação no papel de Scott Smith. Os dois fazem um casal gay numa total sintonia.
O filme me comoveu, além de contar a história real a perfornce perfeita. É um marco na história onde uma causa popular toma essas dimenções. Entender como o movimento gay conseguiu se unir e ser ouvido e, lembrando da mensagem final e do que isso tudo simboliza, perceber o quanto é importante lutar pela igualdade das pessoas. Ou como diz Harvey Milk no final: "o importante é seguir lutando para que as pessoas tenham esperança. Porque a vida só tem sentido se existe a tal esperança. E isso para todas as pessoas, não apenas para os gays".
Viviane Noguerol

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Um dia você aprende que...

Um dia você aprende que...
Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
e olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima
se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se levam anos para se construir confiança
e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas em um instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você é na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam,
percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida
são tomadas de você muito depressa,
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos
om palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós,
mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que você mesmo pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,
e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo,
mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão,
e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa
que você espera que o chute quando você cai
é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver
com os tipos de experiência que se teve
e o que você aprendeu com elas
do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança
que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes
e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,
mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama
do jeito que você quer que ame,
não significa que esse alguém não o ama,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar…
que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe
depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem
que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

William Shakespeare