sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Trick or Treat?

O Halloween é o nosso dia de soltar as Bruxas!!!
Por influência da cultura americana, dos cursinhos de inglês a festa encontrou, no Brasil o lugar certo pra se espalhar e que venham os fantasmas, bruxas, zumbis, caveiras, monstros, gatos negros e até personagens como Drácula e Frankestein. Só nos resta perguntar: “doçura ou travessura???” E haja balas, chocolates e doces, ou não. Quem sabe se as travessuras não seria uma melhor opção?

PREGUIÇA BAIANA SEGUNDO NIZAN GUANAES

Não gosto quando se referem à Baianidade com o estereótipo da preguiça. Da falta de sofisticação. Pierre Verger fotografou a Bahia, e os corpos que ele retratou são peitos, troncos e bundas enrijecidas pela história e pela vida dura.

São homens açoitados pela escravidão. A Bahia é graça, prazer, leveza, mas ela é também luta. O Brasil ficou independente com um grito em 1822. A Bahia teve que lutar, morrer e vencer para expulsar de vez os portugueses em 2 de julho de 1823.

Castro Alves, o maior poeta brasileiro, morreu aos 24 anos, deixando uma obra imensa. Ou seja, trabalhou muito para deixar tanto em um tempo tão curto de sua existência.

Todos os anos o povo da Bahia anda 12 quilômetros com potes de água na cabeça para lavar as escadarias de nosso pai, Oxalá.

No Carnaval baiano, enquanto milhões se divertem, milhares trabalham dia e noite cantando, tocando, vendendo, para que o nosso povo e gente de todo o mundo possam se divertir.
Além disso, quem construiu todas aquelas igrejas, aqueles fortes, monumentos? Nós. Quem colocou cada pedra no Pelourinho? Nós. Quem foi açoitado no tronco que deu ao Pelourinho seu nome? Nós.

Quem escreveu músicas, filmes, encenou, pintou, esculpiu parte significativa da produção artística deste país? Ano após ano, década após década? Nós, os baianos.

Joana Angélica, Maria Quitéria são ruas no Rio de Janeiro, mas na Bahia são sofrimento, luta e heroísmo.

A Bahia é luta, mas ela compreende que a vida não é só isso. E não é.
E é por isso que essa tal Baianidade atrai em todas as férias e feriados estressados de todo o mundo.
Na costa da Bahia, o melhor conjunto de resorts do Brasil foi construído para que você possa experimentar o melhor da vida, e a gente trabalha enquanto você descansa.

O reitor Edgard Santos, baiano de boa cepa, fez uma das significativas obras de produção acadêmica e cultural, com contundente dedicação.

Lamento que a Bahia seja tão amada, tão exaltada e tão pouco compreendida.
Todos aqueles coqueiros e boa parte das frutas e especiarias que a Bahia tem não nasceram ali: vieram de outras índias e foram plantados pelas mãos calejadas do povo da Bahia.

Mas o mundo é de percepção. E, lamentavelmente, as novas gerações, por incompetência nossa, herdaram a parte mais vulgar, mais inculta, mais básica e folclórica desta Baianidade.
Cabe a nós, os velhos, passarmos pela tradição oral, que é de fato Baianidade.
E lembrar a quem dança na Bahia que, enquanto ele dança, alguém toca.
Que enquanto ele reza, alguém constrói igrejas.

Ou seja, na Bahia o trabalho é voltado para o lazer e encantamento do mundo.
E toda vez que você chegar estressado e branco e sair moreno e feliz, chegar descrente e sair otimista e apaixonado, nosso trabalho, nosso papel no mundo estará sendo cumprido.

Baianidade é enfrentar a dura vida de uma maneira que ela pareça menos dura e mais vida.
E para que exerçamos a plena Baianidade, é preciso que entendamos plenamente do que é que somos orgulhosos.

Sou orgulhoso da Bahia mãe de Menininha, Cleusa, Carmem, Stella, do grande Obarain e de Padre Sadock, Padre Luna e Irmã Dulce.
Sou orgulhoso da Bahia de Ruy Barbosa, Glauber, ACM, Luis Eduardo, Jacques Wagner, Waldir Pires - estilos diversos da mesma paixão baiana que nasceu no 2 de julho.

Sou orgulhoso de Gil, Caetano, Bethânia, Gal, de Jorge, meu amigo amado.
Sou orgulhoso de Caribé, Verger, Lícia Fábio, que não nasceram na Bahia, mas a Bahia nasceu deles.

Sou, enfim, orgulhoso dos filhos da Bahia. E por isso sou tão orgulhoso do Brasil.
O Brasil é o maior filho da Bahia. Ele nasceu lá no dia 22 de Abril de 1500 e é por isso que os brasileiros ficam tão felizes quando vão à Bahia.
Porque eles estão, na realidade, visitando os parentes, revendo suas raízes.
Baianidade é enfim o DNA do Brasil, é o genoma do país.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bravo, Contardo! Revista Marie Claire

Conversa aberta com Contardo Calligaris
10/07/2008

Fiquei devendo contar sobre a palestra com Contardo Calligaris.
Foi mais uma conversa mediada por uma josnalista da Revista Marie Claire.
O meu carro saiu de Guarulhos comigo, minhas irmãs e a Re.
Pegamos senhas e após uma volta pela livraria conseguimos sentar na primeira fila.

Entrevista
A jornalista era simpática, bonita, morena de olhos claros, demonstrava segurança e inteligência nas perguntas. O tema girava em torno do livro de Contardo "O conto do amor". Ela disse que conheceu Contardo em uma entrevista que fez com ele para a revista. Chamou muito sua atenção o fato de que o psicnalista não tem respostas prontas. Parece que formula o raciocínio no momento da resposta e que, inclusive, a qualquer momento pode mudar sua opinião, para ela isso torna a entrevista muito mais rica, além de verdadeira. Começou questionando:

"- Como primeira pergunta: Por que é preciso ter coragem para amar?"

Contardo ficou alguns segundos pensando e isso fez a platéia rir por confirmar que a resposta realmente não estava pronta.

O primeiro capítulo do livro é auto-biográfico. Narra a última conversa de um psicanalista com seu pai. Daí em diante há uma viagem que não posso detalhar porque não li. Aliás, Contardo indicou o livro "Como falar dos livros que não lemos?", cujo autor, Pierre Bayard participou com ele da mesma mesa de debates na Flip deste ano.

"- No amor, e também na aventura da vida, quanto menor a bagagem de mão, melhor. A bagagem representa o passado, aquilo que você leva, os impedimentos de viver, de aventurar-se, de amar..."

Adeus ao romantismo
Calligaris não tem mais um olhar romântico sobre a vida, não sei se é um olhar que se perdeu, que adormeceu, ou o quê. Sei que muito do que disse me entristece e me contradiz. Ainda assim admiro seu pensamento e acredito que sua crítica seja mais à um exagero da "melosidade" do amor:

"- É muito chato uma pessoa que diz 'Eu te amo' a cada quinze minutos. Ninguém aguenta!"

Pois eu aguentaria. Claro que de quinze em quinze minutos impossibilitaria uma conversa, mas adoro ouvir, além de sentir. Calligaris acredita no silêncio da atitude amorosa:

"- De que adianta dizer que ama e não levantar da cadeira para buscar um copo d'água?"

Ele também enaltece o silêncio amoroso na coluna "Amores Silenciosos" publicada há uma semana na Folha de São Paulo.

"- É inútil ficar falando dos próprios sentimentos."

Como se dissesse que o amor é para ser sentido, vivido, compartilhado, ao invés de ficarmos falando sobre ele.

Até concordo, mas como posso me redimir se é tudo que faço e tenho feito? Falo do amor, penso sobre ele, expresso meus sentimentos...

Pior é trair o próprio desejo
Pierre Bayard, sobre quem Contardo comentou, fala do "livro interior". Cada um tem o seu. A ficção de nosso livro interior pode ser um romance ou um policial, cada um cria a sua história ideal e o mais difícil é alinhar essas histórias em um relacionamento. O livro interior dos parceiros deve ser parecido, deve ter uma conjunção harmônica, para que ambos possam ser felizes, naquilo que é "felicidade" na intimidade de cada um. Porque, nas palavras de Calligaris:

"- Maior que a culpa por trair o parceiro é a culpa por trair seu próprio desejo."

(pausa) Ele fala calmamente, raras vezes de modo mais enfático. Intercala pausas para o pensamento e esboça um sorriso leve durante toda a conversa, como se falasse mais sobre si mesmo do que sobre uma verdade absoluta. Como se expusesse "apenas" as próprias crenças de forma humilde, sem ofender, ao mesmo tempo aferindo que não mudaria ainda que não gostássemos do que ouvíamos. Como o sorriso estava sempre presente, embora as palavras ficassem duras, como acredito que fiquem enquanto escrevo, o clima era doce e delicado. Até porque estas duas palavras [doce e delicado] combinam mais com ele do que, por exemplo, ríspido e incisivo.

Continuou:

"- Eu não gostaria de estar com alguém que seja fiel a mim e, no entanto, esteja traindo o seu próprio desejo para estar ao meu lado. Isto eu não quero!"

Ciúmes
Quando indagado sobre o ciúmes falou:

"- Sou péssimo sobre esse assunto, não sei falar sobre isso porque não sei o que é ciúme. Nunca o senti".

A jornalista desacreditada da informação, não pela falta de convicção da resposta que nos pareceu muito sincera, mas pela impossibilidade do fato:

"- Nem na adolescência?- Em meu primeiro casamento, aos 19 anos, minhas esposa era muito bonita, modelo e posou nua para uma revista masculina. Fiquei louco! Quando mostrei a revista a meu pai e demonstrei estar enciumado meu pai me penalizou com desdém: 'Não seja ridículo'. Nunca mais senti ciúmes."

Acrescentou:"- Vejam que o amante não sente ciúmes do marido, contudo o marido sente ciúmes de um provável amante. Por que o amante não sente ciúmes? Porque ele sabe do marido e o marido não sabe sobre ele. Isso o coloca em um lugar de poder. Ao passo que se o marido que ficasse sabendo do amante tivesse a atitude que eu teria: 'Ah! Você tem um amante!? Que legal!" para o amante a relação deixaria de existir, ele perderia o interesse, porque perderia também o poder. Não aguentaria..."

Felicidade
E assim a conversa se sucedeu em rápidos minutos. Foi tão curta... A última pergunta foi sobre felicidade:

"- A felicidade não me interessa. Quero viver uma vida intensa. Quero poder gozar de todos os sentimentos, da intensidade de cada emoção."

Bravo, Contardo! Continuo sua fã.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Roberto Mangosi é meu favorito!

Roberto Mangosi é um italiano muito talentoso que começou muito jovem a desenhar e hoje é um grande cartunista, ilustrador, humorista e pintor. Lembro que conheci o trabalho dele através do site OhMyGoodness.com, que infelizmente foi desativado.
Mas hoje tive o prazer de encontrar seus trabalhos no site http://www.hellocrazy.com/ e conhecer seu site pessoal: http://www.robertomangosi.com/main/index.php
Vale à pena conferir!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

TENTE OUTRA VEZ

Veja,
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez.

Beba,
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não, não, não.

Tente,
Levante sua mão sedenta a recomece a andar
Não pense que a cabeça aguenta se você parar
Não, não, não, não, não.

Há uma voz que canta,
Há uma voz que dança
Há uma voz que gira
Bailando no ar.

Queira,
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez.

Tente,
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez.

(Raul Seixas/Paulo Coelho/Marcelo Motta)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A menor redação

Mais uma pérola do ENEM. Confira:

'Redassão'

Tema: 'O mano'

Quando eu tiver um mano,
vai-se chamar Herrar, porque
Herrar é o mano.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sábio Drumond

Fácil é ditar regras. Difícil é segui-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas ao invés de ter a noção da vida dos outros.

Fácil é perguntar o que se deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na agenda telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho.

Fácil é ver o que queremos enxergar. Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?". Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas.

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém. Dizer o que se deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando preciso e com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação. Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer, ou ter coragem para fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar é se entregar e aprender a dar valor a quem te ama.

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Carlos Drumond de Andrade